domingo, junho 04, 2006

God Bless America

Acompanho, regularmente, a excelente escrita do meu camarada e amigo de longa data, Cláudio Resendes. Não resisti em copiar este pequeno texto e mostrá-lo a mais algumas pessoas que eventualmente não tenham conhecimento do blog dele. Não é plágio, pois está devidamente identificado. Abraço camarada ;)

Texto - Cláudio Resendes - www.karmadisease.blog.com

Hoje ainda nem tinha tomado o revigorante café da manhã, quando surpreendentemente fui abalroado, por uma situação inesperada, todavia agradável. Avistei um Punto Gt, todo "tuning xpto", a engolir a estrada à sua frente, ao som do escape "remus". Quando me preparava, para ser atordoado por 20000 watts output de "hip-hop", ou até mesmo de puro "house" tribal, qual não é o meu espanto... Jazz... Mas não qualquer um ... Cool Jazz do movimento intelectual dos anos 50... Nos habituais níveis de decibéis arrasadores de tímpanos, mas até soou a... Música... Perdoem-me todos os "dreads", "azeiteiros" e "gringos" (variante endémica da minha terra), mas não vou mesmo com "house" e "hip-hop" ás 9 da manhã. Seria curioso ver o nascimento de uma nova estirpe, aliando o "tuning", às sonoridades jazz, blues, funk... Da forma que as coisas andam, convida-se o Vin Diesel e a Michelle Rodriguez para fazerem um filme, em que conduzam "All American Muscle Cars" alterados, de forma a roçarem os 800 cavalos de potência, mas que no leitor de CD, toquem Charlie Parker, Duke Ellington, Nina Simone... Havia de ser bonito... Revivalismo Jazz em todos os sistemas de alta fidelidade sonora... "Street Racing" com "Je ne sais quoi" musical. Pois é. Os modelos "Thug", "Gangster" ou simplesmente de heroísmo amoral, marcam mais a personalidade dos jovens, do que os valores incutidos em casa ou nos estabelecimentos de ensino. Talvez devido ao ritmo que se vive e que nem permite criar grandes laços. O estilo de vida transparecido, por esses modelos, é atraente pois cria a ilusão de vida bem sucedida e fácil, e muitas vezes só nos resta sonhar. São tudo modelos da geração "Chocapic", quando no meu tempo só havia "Corn Flakes" e Stallone ( e ninguém se queria parecer com ele, valha-nos deuzzzz... hum). Toda a gente tem de se agarrar a algo. Compreendo. Eu agarro-me a minha cadela de 60 kg. Tentei o "hip-hop", mas dá-me cabo dos rins ou dos "rinzes", como preferirem. O "house" obriga os meus defuntos neurónios andarem ao ricochete, o que provoca estragos irreparáveis, no meu já por si debilitado intelecto. Não tenho tempo! Fiz como o Maradona e deixei a coca... Mudei para a Pepsi.

Morbid Death - Concerto cancelado

Texto - Nuno Costa - www.soundzone.blogspot.com

O concerto agendado para a amanhã (hoje) no Bairro da Levada, em Ponta Delgada, que reunia os Morbid Death e os Zymosis vai decorrer sem a participação dos primeiros por questões de saúde do guitarrista Paulo Bettencourt. Sendo assim, os Zymosis mantêm-se no cartaz e esperam a adição de mais um nome, a anunciar muito brevemente. Este concerto preserva vários atractivos da parte destes black metallers, já que estes vão apresentar alguns dos temas que farão parte do seu próximo registo discográfico, a gravar a partir do final deste Verão. Também muito brevemente será lançado o CD+DVD ao vivo da banda no Roquefest do ano passado, com selo da escocesa Golden Lake Productions. Esperam-se também as habituais novidades estético-cénicas por parte da banda. A não faltar.

quinta-feira, junho 01, 2006

Morbid Death e Zymosis ao vivo!

Texto - www.armageddon.com.sapo.pt

Os Zymosis juntam-se aos Morbid Death dia 4 de Junho no Bairro da Levada em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores. O concerto começa às 22h. As duas bandas Açorianas vão apresentar temas dos seus últimos registos e não só. A não perder!

Cartaz
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Rock in Rio-Lisboa Vs Super Bock Super Rock

Texto - Miguel Linhares

Estive presente no Rock in Rio, em Lisboa, em 2004. O cartaz convidava em quase todos os dias, embora só tenha estado presente no dia 30 de Maio e no dia 4 de Junho. Um grande grupo de amigos dirigiu-se ao continente, a partir da Terceira, para ver algumas das suas bandas favoritas, alguns pela primeira vez! Para nós, o grande nome daquele festival: Metallica! Outros provocavam arrepios, como Slipknot, Sepultura, Moonspell, Evanescence, Foo Figthers… mas os Metallica acabaram por ser, para nós, os senhores daquele festival. Já os tinha visto em 1997, na cidade de Worcester, nos Estados Unidos, mas a vontade de voltar a presencia-los ao vivo era muita.
Toda a envolvente daquele festival levou-me a dizer que, dois anos depois, estaria no Parque da Bela Vista, novamente, para a segunda edição. Já passaram esses dois anos e não fui. Porquê? Apesar de não ter disponibilidade neste momento, a verdadeira razão é o cartaz do festival. Primeiro, porque este ano não existe uma noite dedicada ao Metal, até acho que pode-se dizer que não existe uma noite dedicada ao Rock, ao verdadeiro Rock moderno! De Rock este festival tem muito pouco e os grupos escolhidos não acho que sejam os melhores. Ainda assim, não me importava nada de ver ao vivo Rogers Waters, Red Hot Chilli Peppers, Guns n´Roses (se bem que estes deixaram muito a desejar, pelo que vi na televisão…), vá lá, até Anastacia não me importava de ver ao vivo. Mas este não é um festival de encher o olho… como disse um amigo meu, este é mais um Pop in Rio. Talvez tenha razão, mas realmente, pelo que se vê, vende muitos bilhetes!
No lado oposto está o Super Bock Super Rock (SBSR), que em 2004 tentou aniquilar a supremacia do Rock in Rio, mas não conseguiu. Realizam-se na mesma altura, só que o SBSR é todos os anos. Este ano, colidem novamente nas datas, mas o SBSR com um cartaz muitíssimo superior ao Rock in Rio. Em todos os aspectos. A nível de Metal nem vale a pena dizer nada, a não ser os nomes de alguns dos artistas do cartaz: Tool, Soulfly, Korn, Alice in Chains, Ramp, Moonspell, Deftones…
No que concerne á musica mais alternativa e ao Hip-Hop, também basta dizer os nomes de alguns dos artistas: Franz Ferdinand, The Cult, Deus, Boss AC, 50 Cent, Keane… está explicado. O que não consigo explicar é a razão de eu não ter percebido mais cedo que o SBSR ia ser tão forte e o facto de eu não estar lá! E para não variar, ligaram-me de lá e ouvi, através do telemóvel, o concerto de Soulfly praticamente todo. Brincadeirinha…

in jornal "A União" de 31 de Maio de 2006

Ramo Grande - Jorge Palma e Ynot Band

Texto - Miguel Linhares


Cartaz
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No próximo dia 10 de Junho vai realizar-se um concerto no auditório do Ramo Grande, na cidade da Praia da Vitória, concerto este de beneficência a favor da Filarmónica União Praiense. Em palco estarão os Ynot Band, banda de Rock açoriana e Jorge Palma, que dispensa apresentações. Este evento tem os apoios da Câmara Municipal da Praia da Vitoria e da RTP-Açores.

Impulso Atlântico - Compilação “Ataque Frontal”

Texto - Miguel Linhares

Assim foi prometido, assim foi cumprido. Já está pronto a compilação de Punk/Hardcore, a nível nacional, da responsabilidade da Impulso Atlântico – Produções, sedeada na ilha Terceira. “Ataque Frontal” contém 50 músicas, distribuídas por dois CD´s, com os nomes mais conhecidos a nível nacional do movimento Punk: Peste & Sida, Tara Perdida, Mata – Ratos, Crise Total, Twenty Inch Burial, Easyway, só para mencionar alguns. Entre estes, estão três bandas açorianas, Resposta Simples, Manifesto e Fora de Mão, todas terceirenses.
A Impulso Atlântico está agora a colocar o CD em todas as lojas do género espalhadas pelo país e, provavelmente, será também distribuída por uma Distro Portuguesa, uma das maiores na área “underground”, de modo a ser vendida numa das grandes cadeias de música a nível nacional. Nos Açores, ainda não se sabe onde estará á venda, mas quem estiver interessado em comprar a compilação “Ataque Frontal”, pode fazê-lo contactando um dos responsáveis da Impulso, Paulo Lemos, através do número 96 413 6490.
Fica a lista de músicas e artistas que fazem parte desta compilação, com as bandas locais em destaque:

Capa da compilação
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CD1

Acromaníacos – Cherne Laranjinha
Albert Fish – Future
Alien Squad – The Alien’s awake / Human Zénith
Alison Bentley – You rope
Banshee and something else we can’t remember - Take Me Home (I Can’t Drive)
Barafunda Total – Tribos urbanas
Coiratos Violentos – Coiratos Violentos
Crise Total – Suicídio Involuntário
Decreto 77 – (you don’t) move and inch
Defying Control – Turn it off
Easyway – Back to Black
Enday – Mariachi
Ervas Daninhas – Pedras da Calçada
Fiona At Forty – Worn out shoe box
Freedoom – Inferno Punx
Fishbrain – Infected (my brand new day)
Fitacola – Eu não
For The Glory – I won’t crawl on my knees
Fora de Mão – Tarraça
Get Lost – File 032
If Lucy Fell – Fat Man Dilemma
July Thirtheen – While
Last Hope – Que Queremos Nós
Left Hand – The girls suck but they’re hot
Manifesto – Estrela Vermelha

CD2

Mata-Ratos – O Gangue das Batinas
More Than Hate – World of Waste
No Age Limit – Science
No One Yet – 8 pecados
Omited GR – Obsession
Peste&Sida – Trash Metal
Piss!! – Lords of war
Pointing Finger – Transcend
Rejects United – Strolled Away
Resposta Simples – Genocídio Cultural
RJA – Subtil (Terrorista Português)
Sicks Souls - Mysteries of Life
Simbiose – Betrayal
SK6 – Zero como ponto de partida
Subcaos – Rise against
Take a Hike – Máquina de Guerra
Tara Perdida – Lambe Botas
The Aster – Evergreen
The Parkinsons – Heroes & Charmers
The Hellspiders – Motorcycle Girl
The No-Counts D.O.M. – Valhalla on the Rocks
The Starvan – Fake Roofs
The Traumatics – Murder’s Lane
Trinta e Um – Homem de Barro
Twenty Inch Burial – Octopus

in jornal "A União" de 31 de Maio de 2006

sexta-feira, maio 19, 2006

Insaniae - álbum á venda

Encontra-se à venda o álbum de estreia de INSANIAE. Chama-se "Outros temem os que esperam o medo da eternidade", composto por cinco temas, o que perfaz um total de 56m. O custo do álbum é de 5 euro e está a ser distribuído pelo D:/moni1/ -www.abcdemonium.blogspot.com

Contactem por mail:
demonium.blog@gmail.com
my_demon@clix.pt
martaxxv@mail.pt

quinta-feira, maio 18, 2006

Quanto custa a cultura em Portugal?

Texto - Miguel Linhares

Se olharmos bem para o mapa-mundo, até nem somos dos países mais pobres culturalmente e intelectualmente. Comparado com os países de terceiro mundo, somos um país muito culto e educado, comparado com os países desenvolvidos – e europeus essencialmente – já deixamos algo a desejar. A nossa história é vasta, o nosso povo apesar de abusivo em relação aos demais que ia encontrando nas terras descobertas, sempre foi um povo inteligente, culto, dado á aventura, descoberta, investigação…nada faria prever que Portugal se tornasse no que hoje invariavelmente é! Um país de pessoas incultas e analfabetas funcionais. Apesar de não ser geral, este mal assume dimensões gigantescas, tendo em conta que o país terá pouco mais de 10 milhões de habitantes. Pelas contas da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), Portugal apresenta 48% de analfabetos funcionais. Só para se ter uma ideia, os Estados Unidos apresentam um valor a rondar os 21%, a Alemanha 14% e, pasme-se, a Suécia 7%!
Apesar da taxa de analfabetismo absoluto ser já muito reduzida no nosso país, apesar das pessoas serem relativamente escolarizadas, saberem ler, escrever e realizarem cálculos aritméticos básicos, não conseguem compreender a palavra – e muito menos o seu valor etimológico –, lêem mas não entendem o significado da maior parte das coisas, dos conceitos e termos fundamentais. Tudo o que lêem é-lhes familiar, por estar escrito na língua portuguesa, mas não absorvem os conteúdos. E este é um dos maiores males, a nível cultural, na nossa sociedade actual e um dos factores mais importantes para o insucesso escolar a longo prazo. Não obstante de realmente termos evoluído muito desde a revolução dos cravos, começa a ser vergonhoso a falta de cultura e educação dos jovens portugueses. Digo jovens, porque os mais velhos não podem ser culpabilizados por sistemas de ensino decrépitos e desajustados, nos quais foram inseridos – ou não, estudar não era uma prioridade, mas sim trabalhar – nem pela educação que lhes foi incutida em casa e pela sociedade. Como disse uma vez um cantador popular terceirense, se não me falha a memória, o João Ângelo, “…tive como lápis o alvião e como papel a terra…”.
Um povo avalia-se pela sua capacidade intelectual e cultural e será isso que o define no mundo e o poderá distinguir dos demais. Portugal, nos últimos anos, tem provado ser um país de contrastes e de muitas incompreensíveis regressões, obtendo valores recorde em quase tudo o que é indesejável para uma nação. A iliteracia também lá está. E o que é o mais engraçado nisto tudo? É que o português não se preocupa com isso e não sente vergonha. O português é facilmente influenciado por todo o lixo que se lhe ponha à frente: reality shows, ok; jornais e revistas sensacionalistas e/ou cor-de-rosa, ok; jornais desportivos como a única leitura diária, OK; telenovelas cheias de enredos e sem “sumo”, ok; música de “plástico” e com muitos”coraçõezinhos”, ok; talões de desconto do hiper, ok; “xuning”, OK; paródia, ok… Apoiar campanhas politicas, sem fazer a mais pálida ideia do manifesto eleitoral do candidato e votar nele porque é o mais bonito ou o mais conhecido, OK! E assim se faz um país. Tudo isto tem sentido, a par do ordenado ao fim do mês, para a maioria da baixa/média classe portuguesa, o que corresponde a muito mais de metade da nossa população. É nesta entropia que vivemos. Escusado será dizer a este povo para não seguir as modas, mas para descobrir as suas emoções, para se cultivar, escrever, ler, investigar, compreender, descobrir, renegar o atrofio intelectual.
E para ajudar esta luta inglória, foi aprovado um projecto de lei do Governo da Republica, sob o qual o Estado deixará de subsidiar o transporte aéreo dos livros e revistas para os Açores, estando fora deste opróbrio os jornais diários, semanários generalistas, revistas informativas e manuais escolares. Tudo o resto deixará de ser subsidiado e consequentemente irá custar ainda mais ao leitor Insular. Cai deste modo por terra a introdução de regime de equiparação de preços levado a cabo pelo ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, há poucos anos, e que veio fazer com que jornais, revistas e livros custassem o mesmo na região, que no continente, para não falar do facto que deste modo os produtos também chegavam em tempo – mais ou menos – útil à nossa região, o que agora vai novamente deixar de acontecer. Portugal no seu melhor!
E enquanto revistas como esta não tiverem em capa o Cristiano Ronaldo, ou a Catarina Furtado – semi-nua se possível – continuarão a fazer parte de um universo desconhecido e folheadas pelos muito poucos que não se importam que o conteúdo tenha muitas letras e poucas fotografias...

in revista "Art&Manhas" do segundo trimestre de 2006

Musicofilia - 3 anos no jornal “A União”

Texto e Fotos - Miguel Linhares

Foi no passado dia 7 de Maio que saiu a primeira página de música, da minha autoria, neste jornal. Muito antes disso, apercebi-me pelo gosto que a escrita me dava, mas nunca a desenvolvi verdadeiramente e só em momentos pontuais a utilizei publicamente, embora noutro jornal desta cidade.
Aos 15 anos fui para o 10º ano e cometi uma das grandes asneiras da minha vida, inscrevi-me no agrupamento 2 – artes, quando na realidade nem tinha jeito para tais actividades. Aconteceu comigo, mas acontece com muitos jovens quando chegam ao 10º ano, pois é um facto que os mesmos aos 15/16 anos, na sua maioria, não sabem ou não pensam muito bem no que realmente querem seguir profissionalmente e do que verdadeiramente gostam. De qualquer maneira e, voltando ao ponto de partida deste trabalho que aqui faço, tudo deveu-se á Dr.ª Sandra Bessa, na altura a trabalhar neste jornal, que ao saber do meu gosto pela música, achou que seria uma boa ideia eu realizar uma página semanal sobre o assunto, dando especial relevância ao que era local e regional. Já isto tinha sido feito, tanto aqui, como no outro jornal local, mas com contornos diferentes e maneiras diferentes de abranger o assunto… cada cabeça, sua sentença! No entanto aceitei este desafio e passei a prestar ainda mais atenção ao que se passava na ilha e nos Açores, não só na área do Rock e todos os seus “derivados”, mas também na área electrónica – que muitas páginas já encheu neste jornal – ao Jazz e ao Pop. Aqui neste espaço, deu-se voz a artistas, lugares, eventos e publicitou-se tudo o que era relacionado com a matéria, com o máximo rigor possível! Recebi – e recebo – criticas sobre o meu trabalho, na maior parte construtivas e nem todas positivas. São todas bem-vindas! Só tenho alguma tendência para ignorar as que são depreciativas, ou simplesmente fruto de uma visão limitada sobre a música, por falta de experiência, tendenciosidade ou mero defeito de raciocínio. Mas aqui apraz-me dizer que foram muito poucas. Insignificantes.
Durante estes três anos aprendi muito e cimentei não só o gosto de escrever sobre música, mas, simplesmente, de escrever. Acabei por entrar no curso de comunicação social e cultura, na Universidade dos Açores e também trabalho num dos jornais diários micaelenses, o que me vai dando uma visão completamente diferente do que escrevo, mas também do que leio. Se antes já o era, agora tenho a certeza que sou o meu maior crítico! Mas continua aquele gosto especial de escrever aqui, sabendo que existe um número considerável de pessoas que acompanham o “Musicofilia”, facto que agradeço e reconheço humildemente. Para além disso, continuo a ter um enorme respeito por este jornal e por algumas pessoas que aqui trabalham, ou já trabalharam. E enquanto me deixarem, continuarei a marcar presença, quase sempre ás quartas-feiras, sempre sob o título “Musicofilia” e com o mesmo empenho de sempre.
Embora nesta ultima semana tenha acontecido algumas coisas a nível local, decidi não falar sobre nenhuma delas, até porque algumas foram largamente noticiadas nos meios de comunicação, como o AngraRock, por exemplo, pelo que a partir da semana que vem falamos sobre isso. Deixo somente algumas das melhores e mais marcantes fotos que fizeram durante estes três anos as páginas do “Musicofilia”. Espero que gostem, algumas trazem boas memórias…

in jornal "A União" de 10 Maio de 2006

(somente duas entre as várias que sairam no jornal...)

Rui Veloso - 2004 @ Centro Cultural de Angra
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Metallica - 2004 @ Rock in Rio-Lisboa
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quinta-feira, maio 04, 2006

O festival de verão nos Açores. 1, 2 e 3 de Setembro - AngraRock

Texto e fotos - www.angrarock.com

Concurso

O CONCURSO ANGRAROCK 2006 terá lugar a 8, 9 e 10 de Junho, pelas 21h30, no grande auditório do Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo.
Trata-se de uma iniciativa da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo que tem como objectivo principal promover a criação musical na área da música moderna, estimulando o surgimento de novos projectos musicais dos Açores.
O CONCURSO ANGRAROCK 2006 está aberto apenas a projectos musicais dos Açores que preencham as condições estabelecidas no Regulamento.


Vencedores da edição de 2005 - Stampkase
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Os projectos musicais participantes no CONCURSO ANGRAROCK 2006 serão agrupados em duas eliminatórias. Os cinco projectos mais pontuados no conjunto das duas eliminatórias serão apurados para a final. A apreciação dos projectos musicais concorrentes será efectuada por um Júri constituído por cinco elementos.
Serão atribuídos aos três primeiros classificados os seguintes prémios: 1º Classificado: um trofeu e € 1.500; 2º Classificado: € 1.000 e 3º Classificado: € 500 euros. Os três primeiros classificados serão convidados a participar no FESTIVAL ANGRAROCK 2006 . As inscrições para o CONCURSO ANGRAROCK 2006 decorrem até ao dia 31 de Maio e podem ser efectuadas através da Internet em www.angrarock.com

Festival

DEEP INSIGHT (Finlândia), EXPENSIVE SOUL (Portugal), RAMP (Portugal), PLUTO (Portugal) e STREÄM (Terceira), são as bandas confirmadas para o cartaz o FESTIVAL ANGRAROCK 2006, que vai contar ainda com a participação de mais uma banda internacional e dos três projectos premiados no CONCURSO ANGRAROCK 2006.
O FESTIVAL ANGRAROCK surgiu com novo século (ano 2000), em Angra do Heroísmo (Ilha Terceira) com o objectivo de preencher uma lacuna no que se refere à realização de eventos do género nos Açores.


RAMP no festival AngraRock 2006
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Foram já realizadas seis edições marcadas pelo sucesso em que subiram ao palco do Recinto do Bailão os seguintes grupos e artistas portugueses e estrangeiros: Império dos Sentados (Portugal), Woodstone (Portugal), Kit (Portugal), Clã (Portugal), The Dismal (Espanha), Gene Loves Jezebel (Inglaterra), Pólo Norte (Portugal), Morbid Death (Portugal), Moonspell (Portugal), Fonzie (Portugal), Killer Barbies (Espanha), João Pedro Pais (Portugal), Oratory (Portugal), Tarantula (Portugal), Killing Miranda (Inglaterra), Paradise Lost (Inglaterra), GNR (Portugal), The Temple (Portugal), Flowing Tears (Alemanha), Star Industry (Bélgica), Rádio Macau (Portugal), Reamonn (Alemanha), Eeasyway (Portugal), Exilia (Itália), Blasted Mechanism (Portugal), Charon (Finlândia) e Los Hermanos (Brasil).
Participaram ainda nas edições já realizadas do FESTIVAL ANGRAROCK as seguintes bandas premiadas no CONCURSO ANGRAROCK: Enuma Elish, Manteiguinha Mafiosa, Outrage, Bat n’ Avó, Trust, Strëam, Lithium, Hiffen, Penumbra, Volcanik, VelvetStone e Stampkase.
O FESTIVAL ANGRAROCK é principal evento do género que se realiza na Região sendo considerado como a grande festa da juventude açoriana.
Trata-se de uma iniciativa da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo com produção da ARADO - Produções Musicais e o apoio de entidades públicas e privadas.

terça-feira, abril 25, 2006

Festival "Coliseu Anima Rock" - O Metal falou mais alto...

Texto – Miguel Linhares / Fotos - Rui Melo (Metalicidio)

Aguardava-se com alguma expectativa este festival na cidade de Ponta Delgada e foi um fim-de-semana em cheio para os fãs das sonoridades mais pesadas. O evento no Coliseu Micaelense foi repartido por dois dias, sendo que na sexta-feira comemorava-se o 10º aniversário do grupo de Rock local, Hiffen e no sábado comemorava-se o 3º aniversário da “fanzine” local Sound(/)Zone. O espaço já é conhecido de todos os micaelenses e não é a primeira vez que abre portas a sonoridades deste género, embora seja sempre difícil encher uma casa com aquelas dimensões para um público minoritário, como é o que aprecia este género musical. Mais uma vez ficou patente a falta de capacidade acústica desta sala para eventos de Rock e/ou Metal. O equilíbrio tonal nesta sala é quase inexistente, principalmente nas baixas frequências, ou seja nos graves, que no fundo é o que mais influência o resultado final. Algo para os entendidos na matéria explicarem melhor e qual a razão de assim o ser.


Crossfaith
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Os Crossfaith foram a primeira banda a pisar o palco na noite de sexta-feira e demonstraram, assim como de outras vezes, muita qualidade. Praticam um som “progressivo” interessante, o que pôde ser constatado nos seis/sete temas apresentados. A melhorar, talvez só as vocalizações que são o ponto mais fraco deste conjunto. Pelo meio do concerto, uma instrumental com muitas influências Disco, mas que acabou por resultar pela originalidade. No seguimento destes, subiram ao palco os aniversariantes da noite, os Hiffen, grupo micaelense que celebrou o seu 10º aniversário e mais uma vez convenceu em larga escala nas suas qualidades técnicas. Nada a apontar na qualidade dos seus executantes, mas talvez falte um bocado de alma neste conjunto que em palco demonstra pouca energia.


Hiffen comemoraram o seu 10º aniversário
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Ainda assim, os vencedores do concurso AngraRock 2003 cativaram alguns presentes que já conheciam e cantaram alguns temas, facto compreensível, visto o conjunto ter lançado recentemente o seu primeiro “longa duração” – Crashing – que ainda se encontra em fase de promoção. Agora só com uma vocalista, os Hiffen proporcionaram uma hora de música muito bem executada, ora calma, ora com rasgos de agressividade q.b., mas sempre com o cunho que já lhes é conhecido. Parabéns aos Hiffen. Os lisboetas Urban Tales fecharam esta primeira noite do festival, trazendo sonoridades mais influenciadas pelo Gótico e pelo Heavy.


Urban Tales com uma actuação curta...
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Tiveram uma actuação muito agradável, mas pouco mais pode-se dizer deste conjunto que actuou somente meia hora… talvez a actuação mais curta da noite! Deixaram uma boa impressão no pouco público que ao fim da noite ainda estava no coliseu, alias, esta foi uma noite que não deverá ter tido mais que 200 pessoas no Coliseu.
Na segunda noite, no sábado, isto foi um pouco diferente e pode-se dizer que passaram pelo Coliseu mais do dobro das pessoas que lá acorreram no primeiro dia. Houve alturas em que a plateia estava praticamente cheia, conferindo mais alguma beleza á festa. Os Trauma Prone foram o conjunto a iniciar a contenta no sábado e a fazerem também a sua estreia ao vivo. Grupo de músicos muito conhecidos no meio micaelense, na área do Metal, que durante meia hora mostraram toda a sua capacidade em sons demolidores, muito orelhudos e pesados, com a colaboração em dois temas de um dos vocalistas dos Stampkase.


Trauma Prone - uma estreia em grande!
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Demonstraram muita atitude em palco, ensaio e muito gosto naquilo que fazem, deixando em aberto boas perspectivas para o seu futuro. De seguida e na mesma onda musical do anterior conjunto, actuaram os Stampkase, vencedores do concurso AngraRock 2005 e banda que tem vindo a mostrar uma enorme evolução. Tiveram no público um forte aliado e proporcionaram quase uma hora de “destruição” massiva e sem retorno. Muito embebidos em contratempos, conseguem criar o lógico efeito surpresa no público, ainda assim sem entrar em grandes linhas melódicas ou solos por parte de nenhum instrumento.


Stampkase confirmam a boa forma.
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A presença em palco, como sempre, foi fantástica. Os aplausos foram dos mais ouvidos neste festival, mas não tantos como os que ouviriam a banda que se lhes seguia, os lisboetas The Temple, de longe a banda mais experimentada neste festival! Na sua maioria, foram apresentados temas do seu último trabalho “Diesel Dog Sound”, mas passando também por temas mais antigos do seu primeiro disco “The Angel, The Demon & The Machine”.


The Temple, o melhor das duas noites!
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Concerto irrepreensível, com muita atitude, experiência e técnica. Acabaram o espectáculo com o seu tema mais conhecido “Milionaire” e a pedido do publico voltaram para finalizarem em grande com mais dois temas, um dos quais uma versão superiormente conseguida do tema “Budapeste” dos Mão Morta. Foi o culminar de um festival que se mostrou uma boa aposta no género musical e nos jovens seguidores do mesmo, mas que, como sempre, pecou pela fraca afluência de publico, um mal agregado aos eventos de Rock (maioritariamente com projectos locais no cartaz) organizados nos Açores. Por falta de iniciativas não será de certeza! Parabéns a todos os intervenientes, organizadores, aos Hiffen pelo seu 10º aniversário e á Sound(/)Zone pelo seu 3º aniversário. Que o espírito perdure.

in "Jornal dos Açores" de 26 de Abril de 2006 e jornal "A União" de 27 de Abril de 2006
também disponivel em www.soundzone.blogspot.com

quinta-feira, abril 20, 2006

Festival "Coliseu Anima Rock"


Cartaz
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Festival "Coliseu ANIMA Rock"

21 Abril (Noite comemorativa dos 10 anos dos Hiffen)
22h - Crossfaith (Ponta Delgada)
23h - Hiffen (Ponta Delgada)
24h - Urban Tales (Lisboa)

22 Abril (Noite comemorativa dos 3 anos da SounD(/)ZonE)

22h - Trauma Prone
23h - Stampkase
24h - The Temple
Bilhetes já à venda no Coliseu Micaelense a 3€ das 13h às 20h (Seg. a Sáb.). No próprio dia, bilhetes a 4€.

Confirma-se qualidade - Anomally convencem

Texto e fotos - Miguel Linhares



Ze, Nelson e Miguel
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No passado sábado realizou-se mais uma noite de boa musica na Fanfarra Operária, em Angra do Heroísmo. O espaço, da há uns anos para cá, tem vindo a abrir as portas aos jovens e tem vindo a apostar na qualidade dos mesmos, numa área musical que não era muito habitual naquela casa, o Rock e o Metal.


Lote
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Desta vez foram os Anomally que se estrearam na “velhinha” Fanfarra, um grupo de jovens terceirenses, alguns já com muita experiência de palco, outros a darem os primeiros passos nesta vertente. Nelson na voz, Lote na guitarra e voz, Tiago na guitarra, Miguel nos sintetizadores, Miguel Ângelo no baixo e Zé na bateria trouxeram quase uma hora de um Metal muito bem conseguido, muito influenciado pelo Trash e a roçar levemente o Gothic/Doom, na onda de Paradise Lost na sua fase inicial.


Nelson e Ze
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Até porque apresentaram duas "covers", sendo uma de Paradise Lost, embora de um dos álbuns mais recentes, “Say Just Words” do One Second. A outra versão foi de “We Will Rise” dos Arch Enemy, qualquer uma das duas muito bem conseguidas! Á parte disso, desfilaram em primeira-mão oito temas originais a variarem entre duas guitarras bem coordenadas, com algumas linhas melódicas, mas sempre pesadas e coesas. Isto foi complementado por uma não menos agradável prestação rítmica tanto a nível de baixo como de bateria, bateria aliás, que teve no seu músico uma das pessoas mais activas e visíveis em palco!


A segunda voz encaixou na perfeição
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As vozes também se fundiram muito bem, ora pela agressividade do “frontman” ora pela melodia do guitarrista e por vezes de alguns refrões também estes melódicos, do principal vocalista. Tudo isto foi agradavelmente preenchido pelo excelente trabalho dos sintetizadores.


Miguel nos sintetizadores
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No fundo e tendo em conta que a acústica da sala não é das melhores e este era o concerto de estreia, pode-se dizer que este foi um excelente pontapé de saída para a apresentação dos Anomally que praticam um som não muito habitual actualmente na ilha Terceira, mas muito bem aceite como se viu através de uma sala com muita gente. Provavelmente inicia-se agora uma vontade enorme de pisar um palco grande e com mais condições, quem sabe se o AngraRock poderá ser o próximo passo?!


O conjunto mostrou unidade
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Ficamos à espera de novidades sobre os Anomally, com a certeza que capacidades não lhes faltam. Este espectáculo teve, como já se disse, o apoio da Fanfarra Operária Gago Coutinho e Sacadura Cabral e da produtora “9xRock=Açores”.

in jornal "A União" de 19 de Abril de 2006

NOTA: Tomei conhecimento do facto de na edição de 19 de Abril do jornal "A União", onde estes artigos são publicados, só ter saido uma foto do conjunto "Anomally", pelo que peço desculpa aos mesmos da superficialidade do artigo. Era suposto sairem pelo menos três destas que aqui estão expostas no blog...

terça-feira, abril 11, 2006

Concerto de estreia - Anomally

Texto - Miguel Linhares


Cartaz
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Os Anomally são um novo projecto de death/thrash com algumas influências góticas e existente desde Janeiro de 2005. A banda formada por Nelson na voz (ex-Lithium), Tiago na guitarra, Lote na guitarra e voz (ex-Absinto, ex-Next), Miguel nos sintetizadores e Zé Pires na bateria (ex-God’s Sin, ex-4Saken), consta até agora das suas actividades com uma demo de três temas, gravada apenas para fins promocionais. A banda prepara-se agora para se apresentar pela primeira vez ao vivo, num concerto que decorrerá na Fanfarra Operário Gago Coutinho e Sacadura Cabral (atrás do tribunal de Angra do Heroísmo) no próximo dia 15 de Abril a partir das 22h00, com o apoio da “9xRock=Açores”. Para além disso, haverá animação com o DJ Darkness.

www.anomally.com

quarta-feira, março 29, 2006

Mais uma vez não vi Soulfly ao vivo!

Texto - Miguel Linhares / Foto - Popline


Max Cavalera
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Quem me conhece bem, sabe que adoro Soulfly e Sepultura (de 1988 a 1996), mas embora me identifique na perfeição com os sons que estas bandas produzem, cada uma ao seu estilo, e com as letras e mensagens, o que mais me fascina é a figura que está por detrás destes dois êxitos do mundo do Metal: Max Cavalera. Desde que conheci Sepultura – por volta de 1992 deram-me uma cassete “ranhosa” do “Arise” – que fiquei a adorar aquele som. E na altura só ouvia, basicamente, bandas como Accept, King Diamond, Metallica, Helloween, Guns n´Roses, Def Leppard… no entanto aquilo cativou-me. Pouco tempo depois saiu ao mundo o “Chaos AD”, uma obra-prima no Metal mundial e mais ou menos nessa altura comprei a biografia do grupo e foi ai que realmente fiquei a respeitar imenso aqueles quatro indivíduos. Saber que quatro putos pobres – quer dizer o baixista vinha de famílias abastadas – que andavam descalços nas favelas de Belo Horizonte, no Brasil, teimaram que um dia iam tocar num grupo e fazerem vida disso e ser esse o seu sustento… e depois acompanhar, página por página, as peripécias por que passaram, durante todos aqueles anos até chegarem onde tinham chegado…uma das bandas mais bem sucedidas do mundo metaleiro! Só aqui é que comecei a “perceber” as letras que o grupo fazia, mas essencialmente quem era aquela pessoa, o Max, homem que mais tarde abandonou esse projecto de longa data e formou os Soulfly, uma banda mais superficial a nível musical, mas muito mais profunda a nível lírico. Como alguém disse uma vez: “O que é difícil não é escrever muito, é dizer tudo escrevendo pouco.”. Ele consegue isso! Quem conhece a história de vida dele e acompanha a sua carreira há 15 anos, como eu, não ouve só meia dúzia de frases raivosas e palavrões! Ouve a voz de alguém que sofreu e vai sofrendo com o mundo… e com o “seu” imensamente injusto e corrupto Brasil.No passado fim-de-semana, os Soulfly estiveram em Portugal e mais concretamente no domingo no Hard Club, em Gaia. Como já é regra em concertos grandes, tenho sempre amigos que me ligam e acabo por ouvir – entre as limitações das ligações móveis – uma ou duas músicas de concertos que não tive oportunidade de lá estar. Um em especial que me tinha marcado muito até hoje – entre várias dezenas – foi um telefonema a partir do concerto de Iron Maiden, em Lisboa, há um ano ou dois, em que ouvi na integra o “The number of the beast”. Desta vez marcou-me mais! Ouvi o “Refuse/Resist cantado pelo Max Cavalera e ainda a música “Fire” do primeiro álbum de Soulfly. E mais uma vez eu estive lá, sem na realidade lá estar! Obrigado aos camaradas que me ligaram a partir do concerto!!!

in jornal "A União" de 29 de Março de 2006