terça-feira, maio 03, 2011

Festival "A Colheita"

Texto - Miguel de Aguiar / Fotos - Catarina Melo


Eyes For The Blind, Amnnezia, Somnivm, Banda da Colheita, DJ Lino e MD Boi foram os atractivos para esta que é já a terceira edição do festival “A Colheita” realizado no passado dia 15 e 16 de Abril. O recinto foi mais uma vez o Edifício Cultural de São Bento que a meu ver não será o mais aconselhado para o efeito, a acústica da sala é terrível e o espaço demasiado grande para um evento que infelizmente parece estar destinado a ter cada vez menos público.
Eyes For The Blind
A estreia dos EFTB era aguardada com alguma expectativa e por volta das 22h45 da noite de sexta-feira o colectivo liderado por Ricardo Gil deu inicio à sua actuação. Em 30 minutos a banda, prejudicada por um som muito pouco perceptível apresentou-nos 5 temas onde foi possível ouvir uma mistura de metalcore com algum groove. Apesar de alguns aspectos técnicos a melhorarem e da sua pouca maturidade a banda demonstrou estar à vontade em palco com especial destaque para o guitarrista solo, baterista (Tiago baterista de Somnivm) e para o vocalista da banda que demonstrou ser um frontman à altura de uma banda promissora no espectro mais “pesado” do que por cá se faz. “Beneath a Bleeding Sky” e “Box of Secrets” foram a meu ver os dois melhores temas apresentados ficando no entanto o desejo de voltar a ver esta jovem banda com melhores condições a nível sonoro. Logo de seguida estiveram em palco os Amnnezia, banda que ao fim de 7 anos dá por terminada a sua carreira e termina com a presença no palco d’ A Colheita. Uma notória falta de ensaios aliada a uma presença muito pálida e paragens monótonas entre cada tema fez com que aquele que se esperava ser um concerto memorável acabasse por ser apenas mais um a juntar aos outros. Infelizmente os Amnnezia foram também fustigados pelo som que se fez ouvir no salão do Edifício Cultural de São Bento, a guitarra ritmo não se ouviu praticamente durante todo o concerto. Foram 9 os temas apresentados ao longo dos 60 minutos de actuação em que o quinteto nos presenteou com temas como “Mirror”, “Euthanasia”, “Ilha”, “Another” e “Exorcism” sendo que estes dois últimos contaram com a participação especial de Bruno Achadinha (Somnivm) partilhando assim a sua voz gutural com a voz melódica de Natal Machado o que fez animar um pouco mais o público presente. Houve ainda tempo para a já conhecida versão de “Menina dos Olhos Tristes”, tema original de Zeca Afonso. 
Amnnezia
A noite de sexta-feira prosseguiu com DJ Lino.
Para a noite de sábado estava guardado o regresso dos Somnivm ao palco da Colheita e a estreia da Banda da Colheita, estava garantida uma noite com muito metal. Às 23 horas foram dados os primeiros acordes com uma intro de teclado por parte dos Somnivm, infelizmente esta foi uma das muito poucas vezes que esse instrumento se fez ouvir durante todo o concerto. “Our Darkest Nightmare”, “Reborn By A Godly Force” foram alguns dos temas já conhecidos que ao longo de 60 minutos fizeram as delícias daqueles que ali estavam para ver o regresso desta banda aos palcos. Pelo meio foram ainda apresentados 3 novos temas “Facing War”, “Castle of Cards” e “Frozen Sun”, temas esses que pouco ou nada fogem ao já anteriormente feito à excepção de introdução de vocalizações em tom limpo por parte de Bruno Achadinha. 
Somnium
A banda brindou ainda os presentes com duas covers, a já conhecida “Eternal” dos britânicos Paradise Lost e o momento da noite foi inteiramente para a sua nova “Pursuit of Vikings” de Amon Amarth cover esta que vem comprovar que os Suecos são sem dúvida uma das referências para esta banda. “The Curse”, amaldiçoada ou não teve um inicio um pouco atribulado mas que facilmente foi ultrapassado terminando assim a actuação desta banda que deixou para trás um concerto que agradou ao público “metaleiro” presente. A apontar apenas o pouco à vontade ainda em palco por parte de alguns membros que ainda se prendem muito ao seu espaço e a falta de concentração do baterista que originou alguns momentos menos bons ao longo do concerto. Nota positiva para Bruno Achadinha que tem-se mostrado um frontman sem medo do público e para o guitarrista solo. Rui Reis (System Failure), Nelson Leal (Anomally), Vitor Moreira (Nomdella) Marco Lote (Skar, ex Anomally) e João Freitas (Filthy Maggot) membros bem conhecidos do nosso panorama de “peso” foram os cúmplices que se juntaram para recordar alguns temas de bandas tão conhecidas como Metallica, Sepultura ou Pantera. 
Banda da Colheita
E foi com “Loco” de Coal Chamber provavelmente o tema menos conhecido pelos presentes que a Banda da Colheita iniciou o seu setlist, de seguida surpreenderam todos os presentes tocando “Du Hast” de Rammstein, seguiu-se “Duality” de Slipknot tema este muito bem recebido pelo público contando com a participação improvisada de Ricardo Gil (Eyes For The Blind), “For Whom The Bell Tolls” sofreu uma interrupção forçada por motivos técnicos que impediram os dois vocalistas de interpretar este tema causando assim um momento menos positivo na sua actuação, seguiu-se um medley de Pantera com os temas “5 Minutes Alone” “Walk” e “Fucking Hostile”, “Redneck” de Lamb Of God foi o tema mais intrincado apresentado pela banda que mostrou não ter havido ensaios suficientes para o executar na perfeição, não sei se era esse o propósito da banda ou não pois pareciam estar ali só pelo gozo no entanto foi pena não terem conseguido executá-lo de maneira mais clara e perceptível. “Refuse/Resist” de Sepultura e “”Do What I Say” de Clawfinger ficaram para o fim, não havendo mais temas para apresentar em estilo de encore a banda repetiu o medley de Pantera. Destaque para Marco Lote que foi o membro mais massacrado tendo ficado com o trabalho de guitarra todo por sua conta, o que fez com que a banda saísse prejudicada em alguns momentos que fazia falta uma segunda guitarra, nem mesmo o trabalho de João Freitas no baixo foi o suficiente para colmatar esta falta na banda. MD Boi finalizou a noite com uma boa selecção do que de melhor se fez nas décadas de 80 e 90 e ainda alguns êxitos mais recentes de Metal.
 
Um ano e um mês depois, treze bandas e muitas horas dispensadas fizeram com que este jovem Festival chegue à sua 3ª edição graças à força de vontade empenho e dedicação de Beatriz Reis, que apesar de muitos se terem juntado a esta organização é ela a principal impulsionadora desta colheita do que de melhor se tem vindo a fazer por cá. 
É evidente que alguma imaturidade dá lugar a erros e a Colheita, apesar de já ir na sua 3ª edição continua a meu ver com alguns erros por corrigir. Será mesmo necessário realizar dois dias para colocar apenas quatro bandas em cartaz? Não haverá um local melhor para a realização deste evento? Foi correcto colocar uma banda que foi criada de propósito para este festival como cabeça de cartaz? Não seriam os Somnivm uma banda capaz de suportar esta responsabilidade? São as questões que me vêm à cabeça ao fazer um balanço do que se passou neste evento. 
Claro está que apesar destes aspectos que julgo deveriam ser repensados à que dar o devido mérito aos responsáveis por este evento que tem acarinhado as bandas locais sem qualquer tipo de discriminação de estilos musicais. Um bem-haja a quem faz algo pelos músicos locais e que venham mais e melhores colheitas.

quarta-feira, abril 27, 2011

Anomally representados pela Azor Waves

Os terceirenses Anomally chegaram a acordo com a Azor Waves para agênciamento da banda.
Praticantes de Death/Gothic Metal os Anomally, oriundos da ilha Terceira - Açores, iniciaram a sua actividade em 2005.Após alguns concertos no ano seguinte foram considerados como banda revelação pela imprensa regional.
“Once in Hell…” é o título do primeiro álbum. Influenciados por bandas como Paradise Lost e Dark Tranquillity os Anomally entram no Watt Studio para gravarem oito temas dos quais fazem parte os já conhecidos "Apocalyptic Signs" e o sucesso "I Am God" anteriormente gravados para um CD promocional. A produção mistura e masterização ficaram a cargo de João Mendes. 31 de Outubro de 2008 foi a data escolhida para o lançamento desse registo discográfico dos Anomally.
Os Anomally têm sido distinguidos ao longo da sua carreira com vários prémios como o da categoria “Melhor Banda Rock/Metal" nos Prémios Açores Musica 2008, o prémio atribuído pelo site metalicidio.com na categoria de “Melhor Banda de 2009”, banda capa da revista "Metal Bit IX" e efectuado concertos  em diversos festivais com o Festival Internacional de Metal em São Miguel com bandas como os franceses Dagoba e os alemães Fear My Thoughts, no Festival Alta Tensão em São Miguel com os dinamarqueses Mnemic, Morbid Death, Reaktor, Concealment  e ForGodsFake, no Festival Azure, na Terceira com  os  Kalashnikov e ainda naquele que é um marco dos festivais dos Açores o Festival Angra Rock  2006 onde partilharam o palco com os RAMP.
Os Anomally são constituídos por Nelson (voz), Tiago (guitarra), Luís Brum (guitarra), João Toste (baixo), Miguel Aguiar (teclados) e Zefa (bateria).

segunda-feira, abril 18, 2011

Alma Rasgada


A Banda Faialense “ALMA RASGADA” já terminou, em Lisboa, o trabalho de Estúdio
que produziu os onze temas a incluir no seu disco de lançamento previsto para este ano,
de nome “Coração de Basalto”.
Entretanto, houve troca de baterista, saindo Pedro Correia e entrando David Lacerda,
aluno de Vickie Marques (Mariza, Paulo Gonzo, Pedro Madaleno) e uma das promessas da Bateria
em Portugal.
Com apenas 20 anos, David Lacerda conta já com um currículo invejável, tendo estudado
no Hot Clube de Portugal e participado em vários projectos em diferentes correntes musicais,
ganhando assim a experiência necessária para, nesta fase da sua carreira, constituir
uma mais-valia para e secção rítmica do colectivo faialense “ALMA RASGADA”,
que conta ainda com Eddy Alvernaz na Viola Baixo, Joe Alvernaz, na Guitarra
e  João Goulart na Escrita e Voz, desde o inicio da formação como banda.
Longe dos palcos, há praticamente dois anos, o projecto, tem dedicado todas
as energias e meios, na gravação do seu primeiro disco, havendo já contactos com uma editora,
em Lisboa, com vista à edição do seu primeiro registo discográfico.
Com captações e pré-misturas do guitarrista e compositor Joe Alvernaz, o disco contou
depois, com o contributo do produtor Pedro Mendinhos para a mistura e masterização.
Pedro Mendinhos conta, no seu currículo, com participações em trabalhos com o conhecido encenador
Felipe Lá féria e especializou-se no programa “Pro-Tools” em Inglaterra.
Nesta sequência, a banda vai estar de 18 a 23 deste mês de Abril na Ilha do Faial com o intuito
de gravar o vídeo-clipe do single que dá nome ao disco (Coração de Basalto), sendo
o Vulcão dos Capelinhos a base das gravações,  a cargo de Rui Branco, profissional da RTP-Açores
 para este importante instrumento de divulgação da banda, da Ilha do Faial e do Arquipélago dos Açores.
Isto, porque a “ALMA RASGADA”, assume-se como produto açoriano de visão universal,
com temas que vão do Rock ao Hip-Hop e ao Jazz, numa vivência insular na sua relação com o mundo, o açoriano como ser universal, ímpar na sua vivência com os elementos, “mar, clima, terra, rocha, vulcões, basalto”, expressos em palavras escritas e ditas nesta “maresia”,  pelo radialista João Goulart.
O tradicional em sintonia com o contemporâneo numa visão contemporânea da arte onde
se unem e fundem a música a poesia, a dança e o audiovisual, numa proposta que se assume
como canal de transporte da poesia aos ouvidos dos mais “jovens” e de novas sonoridades aos “menos
jovens”.
A banda abriu as suas portas aos criadores no facebook, aceitando propostas para a capa do disco
de estreia, podendo ser enviadas para jcgoulart@hotmail.com
De momento a banda pode ser descoberta, embora já com informação antiga, em www.metalicidio.com e possui dois vídeos de promoção no youtube, clicando em “ALMA RASGADA”.
Agora, ultimam-se as condições para a criação do primeiro vídeo- clipe, para o “Coração de Basalto”.
O disco de estreia dos açorianos “ALMA RASGADA”.

sexta-feira, abril 15, 2011

Festival "A Colheita"

Camaradas, o Musicofilia estará no Festival "A Colheita" a ocorrer hoje e amanhã - dias 15 e 16 de Abril, no Centro Cultural de S. Bento (cartaz na barra lateral).
A reportagem do evento será efectuado pelo Miguel de Aguiar, portanto estejam atentos nos próximos dias.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

The Chamber - Revisitando o passado


Texto - Miguel Linhares / Foto - António Araújo

Academia de Juventude da Terceira, 22:00, tempo relativamente calmo com o mar a ficar-se pelo areal. A cidade da Praia da Vitória recebe o primeiro concerto do angrense João Félix no ano de 2011.
Como em quase todos os eventos que se realizam na Terceira, a pontualidade é substituída por um compasso de espera, sendo que 20 minutos foram suficientes para que o jovem João Félix se sentisse confortável para iniciar o seu espectáculo, agora com a pequena Sala Composição com mais público.
Sozinho, utilizando uma Fender Telecaster e com a habitual introversão característica deste artista, o projecto The Chamber é certamente uma viagem no tempo, remetendo-nos para uns longínquos anos 60 e 70 que a maioria do público presente não vivenciou. Assumidamente um admirador de artistas como The Beatles, Bob Dylan, Nick Drake, Jeff Buckley e Oasis, João Félix demonstra claramente na sua música as suas influências e inspirações musicais.
Com uma voz colocada, natural e sem exageros técnicos, João Félix complementa as melodias com a guitarra e, ocasionalmente, a harmónica, instrumentos que domina relativamente bem e que vem progredindo a cada espectáculo.
Foram, aproximadamente, oito os temas originais oferecidos às quase trinta pessoas presentes na sala, entre os quais o já habitual “Mary Jane” e o tema que dá nome ao projecto, mas também alguns temas compostos mais recentemente. Desta vez João Félix deixou de fora do setlist o tema “A poison tree”, tema superiormente composto por ele, tendo como letra um poema de William Blake e que na sua página oficial – www.myspace.com/jooflix - lidera claramente a lista de audições dos visitantes.
Depois de quase uma hora de concerto, o jovem artista fechou a noite com um cover dos The Smiths, “There is a light that never goes out”, deixando uma aparente satisfação geral no público que agora chegava às 30 pessoas.
Após o final do concerto – e como se de um intervalo se tratasse - João Félix acabou por voltar ao palco para tocar mais alguns temas, por vezes a pedido directo de alguns elementos do público. Tocou novamente alguns dos temas originais, visitou pela 2ª vez os The Smiths e prestou homenagem aos Oásis e a Jeff Buckley. Acabou por ficar em palco quase uma hora e meia, fazendo deste um concerto verdadeiramente intimista!
Sempre de poucas, mas directas, palavras, João Félix provou novamente ser um artista com uma sensibilidade musical muito apurada e notoriamente destacada da generalidade da sua geração. Agora a viver em Lisboa, por motivos académicos, João Félix terá com certeza um contacto mais refinado com a realidade musical nacional, podendo daqui advir uma evolução positiva nas suas composições.
Fica mais uma vez a vontade de ver o artista acompanhado por uma banda, passo que certamente dará quando achar oportuno. Enquanto tal não acontecer, as palmas e os elogios vão inteiramente para ele.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Resposta Simples apresentam-nos a sua Mãe Terra

Texto - Miguel de Aguiar / Foto - Academia de Juventude da Terceira

É com o 7” EP “Gaia” lançado a 20 de Dezembro pela Juicy Records que os Resposta Simples voltam ao ataque após o lançamento do álbum “Sonho Peregrino” editado em 2008. Gaia é o primeiro vinil Punk a ser editado nos Açores e apesar de parecer estranho o lançamento de vinis nos dias que correm em que o formato digital está já enraizado no mercado musical os punkers terceirenses seguem, segundo Paulo Lemos, uma linha de continuidade musical própria das bandas de Punk Hardcore. Para trás fica um álbum, dois EP’s, uma demo e várias participações em compilações, não menos importante foi o reconhecimento como banda “Novo Talento” pelo site Musica Total e ainda a participação em 2005 no concurso de bandas de Vila Real tendo sido apurados para actuar na Queima das Fitas de Vila Real, partilhando o palco com os Blasted Mechanism. Desde 2005 a banda tem tentado contrariar o que seria de esperar e conseguiram quebrar as barreiras da insularidade sendo mesmo aclamados como um dos colectivos mais reconhecidos do panorama açoriano no continente pela revista Loud!.

“Matiné de Natal” no passado dia 26 de Dezembro foi o pretexto para o trio angrense apresentar-nos o seu novo registo num concerto ao vivo fazendo-se acompanhar pelo colectivo System Failure. Um evento que contou com o apoio da Associação Cultural Burra de Milho mostrando assim que o que muitos consideram “barulho” também deve ser considerado cultura e merece todo o respeito e apoio. A Academia da Juventude da Ilha Terceira foi o espaço que acolheu esta iniciativa, situado na cidade de Praia da Vitória este é um novo recinto polivalente que tem como principal objectivo a promoção do empreendedorismo e da criatividade.

Por volta das 16 horas, uma hora mais tarde do que o previsto, deram inicio às hostilidades os System Failure com a projecção de um vídeo filmado durante a ECO 92 - Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento em que Severn Suzuki da Organização das Crianças em Defesa do Meio Ambiente apelou para a consciencialização dos actos sobre o meio ambiente. Atribulados por um pequeno imprevisto de ordem técnica, o colectivo liderado por Rui Reis inicia o seu concerto um pouco retraído com o tema Old Times de RAMP. Não, os System Failure não são uma banda de covers e como tal deveriam ter começado com um dos seus vários temas originais, nota negativa neste aspecto. The Idiot, ironicamente dedicado a George Bush, Lost Gun marcado pelo cumprimento sentido entre Rui Reis e Paulo Silva (ex vocalista da banda) e Magister Mundi Sum foram os temas que nos levaram até metade do concerto sendo este último numa toada mais calma perfeito para o registo vocal do frontman. Golden Age dos germânicos Kreator foi o tema que se seguiu, mais uma cover bem executada pelo quinteto angrense que nos levou até ao final da sua actuação com mais três temas originais a variar entre o Hard Rock e o Heavy Metal. A destacar a presença e performance do guitarrista solo Artur Reis que se tem vindo a soltar nas últimas actuações e do já veterano vocalista que nos tem acostumado já com a sua irreverência e atitude sem vergonha em palco.

“Esta cultura de nada te serve minha amada, encontra em mim o conforto a que me obrigas”, são as palavras que se podem ouvir em “Sem Cura” tema retirado do novo EP e que serviu de guia para o videoclip que os Resposta Simples nos apresentaram. Com produção a cargo de Tiago Castro e Fábio Couto (baixista da banda), o vídeo sensibiliza-nos para uma consciencialização ambiental desvanecida por um capitalismo desenfreado, temática abordada em “Gaia”.

Das 11 malhas de puro Punk Hardcore da velha escola cantadas na nossa língua mãe “Relações Cortadas” deu o mote inicial para uma actuação que havia de percorrer todos os registos discográficos do trio com excepção ao EP de 2004 “Teatro da Vida”. Para além da interpretação na íntegra do novo EP os Resposta Simples deram especial evidência para o seu album “Sonho Peregrino” de onde se destacou “Genocidio Cultural” e “Descanso Eterno”. Descanso foi o que Paulo Lemos não teve e foi bem notório ao longo de um concerto que poderia ter sido mais frenético do que aquele que assistimos muito possivelmente retraidos pelo público local estático que continua parecer não ser muito apreciador desde género musical. Neste aspecto nota menos positiva vai para Fábio Couto que não se soltou como seria de esperar. O setlist contou ainda com “Revolução Pessoal”, “Atitude (Começar de Novo)” e “Neglicência” retirado da primeira demo-tape e dedicada ao seu compositor – João Pedro ex guitarrista da banda. Foram estes os temas que nos guiaram ao fim, e foi para o fim que o melhor ficou guardado, “Muro da Banalidade – Gaia” é sem dúvida o melhor tema de “Gaia” e contou com a participação de Phillipa Cardoso no entanto foi pena este tema não ter sido interpretado como no disco com a adição de didgeridoo e de percussão extra – instrumentos do mundo que fazem deste um tema do mundo. Faltou um encore a pedido do público que poderia ter sido o último tema tocado no entanto foi bem visivel que os Resposta Simples tinham dado por terminada a sua actuação.

O recinto, o som e as entradas pagas merecem nota positiva. Um espaço moderno e bastante agradável que nos disponibiliza uma sala com boa acústica e material de som suficiente para se ouvir bem alto o que por lá se toca fazem deste provavelmente o melhor recinto na actualidade na ilha Terceira para eventos deste género e espero que seja bem aproveitado e que sejam dadas oportunidades aos artistas locais de o usufruirem. As entradas cobradas são sem dúvida algo a que os terceirenses devem começar a habituar-se. É completamente impossivel para uma banda gravar e editar um disco em troca de cerveja, como tal é necessário criar meios financeiros que o tornem possivel. Algo que o público terceirense tem que se começar a habituar também é à hora de inicio dos eventos. Neste aspecto o dedo deverá ser apontado às organizações e esta não escapa e como tal merece nota negativa. Enquanto os eventos tiverem uma hora de atraso, a grande maioria das vezes propositada na esperança de que o recinto fique mais bem composto, o público nunca se irá habituar à pontualidade. Por falar em público, o que é feito daqueles que passam a vida a reclamar que nunca se faz nada por cá e quando há um evento como o do lançamento do EP dos Resposta Simples estes não estão presentes? Terá sido pelo dia e hora escolhidos? Talvez, mas a festa de lançamento de um disco não sucede com muita frequência por cá e se não forem as pessoas ligadas a este meio que se apoiem umas às outras dificilmente será mais alguém.

Ainda me lembro destes rapazes com meia dúzia de pêlos na cara a darem os primeiros passos na música, hoje em dia e passados já 7 anos já foram responsáveis por um festival que trouxe cá pela primeira vez os conhecidos Mata Ratos, criaram uma editora e contam já com 5 registos de estúdio. Atitude e perseverança é o que leva estes punkers a já terem feito mais pela música do que muitos de nós que já estamos ligados a este meio há mais tempo. Ah pois é!

Concerto The Chamber


No próximo dia 07 de Janeiro, a Academia de Juventude da Ilha Terceira apresenta:

20h00 | Exposição Fotográfica ALMA de André Pimentel
22h00 | Concerto THE CHAMBER - projecto musical de João Félix

Artistas Residentes

André Pimentel –  nasceu em Angra do Heroísmo a 6 de Abril de 1989. Desde cedo demonstrou um apelativo interesse por fotografia dando, assim, os primeiros passos no mundo das Artes.Actualmente estudante universitário de Design de Comunicação na Escola Superior de Artes e Design, André Pimentel completou o Ensino Secundário em Angra do Heroísmo na Escola Secundária Jerónimo Emiliano e, em 2007, frequentou o Curso de Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Além da sua participação na exposição "Acreditar na Fotografia", vários dos seus trabalhos anteriores constam de Revistas, Páginas Electrónicas e Jornais ligados à Festa Brava, e foram também já expostos em diversos Certames, Feiras e Mostras na Ilha Terceira.

João Félix - nasceu em Angra do Heroísmo, em 1990. Tinha cerca de cinco anos de idade quando começou a familiarizar-se com o som dos Beatles, e já então tinha os seus temas favoritos, mas foi por volta dos dez que começou a ouvir música com atenção e interesse. No Natal de 2002 teve a sua primeira guitarra, e assim que aprendeu os primeiros acordes, não demorou a aventurar-se na escrita (quase compulsiva) de canções. Além dos Beatles, inspiravam-no também a música de Bob Dylan e os Pink Floyd da era de Syd Barrett. Assim, foi construindo um repertório musical que hoje conta com um grande número de canções. Ao longo dos anos, tem descoberto também a música de Nick Drake, Elliott Smith e Jeff Buckley, decisivamente influentes na composição dos seus temas. Actualmente, João Félix apresenta-se com o projecto musical The Chamber, e tem em vista um primeiro álbum que contará com uma selecção cuidadosa das muitas canções que tem escrito até agora.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Apresentação Gaia EP - Resposta Simples


Será pelas 15:00 do próximo domingo, que plenos de espírito natalício os Resposta Simples irão apresentar o seu EP Gaia na Academia de Juventude da Ilha Terceira, estando a abertura do espectáculo a cargo dos  também angrenses System Failure. 
Gaia, o novo disco do trio açoriano, é o primeiro vinil Punk Hardcore a ser editado nos Açores, da primeira e única banda de Punk Hardcore do arquipélago.
O EP é resultado de uma mistura energética, inspirada pelas raízes do Punk, Hardcore e Crust Português da velha escola, com um toque de Música do Mundo, assim afirma o conjunto em nota de imprensa.
"Música sem barreiras, mas com consciência. Gaia aborda uma tomada de consciência ambiental, nestes tempos de encruzilhada moral.", rematam.
A edição é limitada a 400 exemplares, estando a edição a cargo de uma coligação transatlântica - Anoise Records, Infected Records DIY, Juicy Records, M.C.S. Records e Selfish Satan Records – e conta com apoios do Governo Regional dos Açores entre outras entidades autárquicas e culturais da região.
A entrada custa 2,50 respostas, ou 5,00 respostas com direito a oferta de vinil.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

MUSICOFILIA DE REGRESSO!

Olá a todos.
Antes de mais, muito obrigado a todos os quantos vão passando por este espaço, algo que constatei ao acompanhar as estatísticas do blog. Já se completaram dois anos desde que parei de escrever, tendo feito somente uma review das Sanjoaninas 2010 e é bom saber que vão passando por aqui para ver se há novidades. Pois bem, a partir de agora haverá!
E quem me convenceu foi o meu camarada, agora regressado dos "States", Freddy. E será ele quem irá executar e gerir o site do Musicofilia. Sim, o blog vai desaparecer e dará lugar a um site, o que tornará este trabalho mais intuitivo, isto durante o próximo mês.
Outra novidade é que não vou fazê-lo sozinho, tal como há dois anos quando fiz um interregno continuo com pouco tempo para escrever e acompanhar a música com a dignidade que o assunto merece, logo, convidei alguns amigos para colaborarem. Desde já posso informar que o Musicofilia conta com a ajuda e os conhecimentos do Miguel Aguiar, do Lino e do Paulo Lemos. Desde já o meu obrigado a eles por aceitarem o desafio. Tenho intenção de convidar mais uma ou duas pessoas, mas tudo a seu tempo.
Peço que sejam pacientes com o conteúdo deste blog, pois realmente está muito desactualizado e tentarei rever alguns pontos importantes, como é a agenda, por exemplo, de modo a que não pareça tão 2008...
Entretanto vamo-nos vendo por aqui ou em qualquer um concerto...
Até já.

segunda-feira, julho 05, 2010

Mariza e James coroam Sanjoaninas 2010

Texto - Miguel Linhares


Já não escrevia aqui desde 2 de Julho de 2008, há dois anos. Deixei de o fazer por necessitar de algum descanso e por motivos pessoais e profissionais. No entanto o bichinho fica sempre cá dentro e por vezes temos mesmo que retomar.
Devo confessar que desta vez nem foi bem por essa razão, mas sim pelo facto de ter visto uma pobre e modesta cobertura jornalística dos eventos musicais das Sanjoaninas 2010, em qualquer meio de comunicação social e/ou na blogosfera. Mas a realidade é que neste país e nesta terra o futebol reina e a sociedade em geral não é culturalmente activa e, por isso mesmo, não somos a Finlândia ou a Suécia.
Como tenho direito a também expressar as minhas opiniões e a relatar o que vi e ouvi – e faço-o há mais de 7 anos neste e em outros meios - é que decidi trazer de novo este espaço à vossa companhia, ou não ocupasse a música uma grande parte da minha vida.
No início das festas esta não era a minha intenção e daí não ter acompanhado todos os espectáculos ao pormenor. Também, como adquiri a pulseira que deu acesso a todos os espectáculos no Bailão, acabei por não estar presente em outros palcos que, pelo que me disseram, tiveram concertos fantásticos, como é o caso do Pátio da Alfândega.
Embora tenha iniciado esta página em jeito de crónica, falarei dos espectáculos com a maior imparcialidade e justeza possível. Até porque embora ouça e admire imensos géneros musicais, tenho as minhas preferências e dentro destas não havia nenhum artista no palco principal das festas, excepção feita talvez aos Goma, logo, mais imparcial é impossível.
Devido ao reduzido espaço aqui disponível terei que sintetizar e poupar nos caracteres. Vamos então por dias:


DIA 19 – FLÁVIO CRISTÓVAM & JAMANDIZEN

Este artista angrense foi vencedor do concurso AngraRock 2009 e do Vodafone Ones to Watch – área Pop – que premeia os melhores novos artistas da comunidade MySpace e tem vindo a desenvolver uma carreira muito interessante captando novas sonoridades um pouco alheias ao público açoriano mais jovem. Acompanhado pelos Jamandizen – Raul Cardoso, João Mendes e Timmy Lima – e por não mais do que duas centenas de pessoas no público, este artista demonstrou grande argúcia na composição dos seus temas, habilidade vocal e capacidade de interpretação ao vivo. Destaque para o tema “The closing doors” que já roda há algum tempo em algumas rádios regionais e para duas covers muito próprias de Xutos e Pontapés e Ornatos Violeta.
O espectáculo durou pouco mais de uma hora e pecou pela pouca afluência de público só explicada pelo facto de os espectáculos dos artistas locais também serem pagos e a dez euros (?!).


DIA 20 – MARIZA

Não podia ser melhor. Estamos a falar da (talvez) melhor artista nacional da actualidade e um dos poucos nomes nacionais que espalha a língua e cultura portuguesa de Los Angeles a Tókio. Sendo já um marco na world music mundial, Mariza captava atenções para o espectáculo em Angra e durante pouco mais de duas horas deu, se não o melhor, pelo menos um dos melhores espectáculos no Bailão. De entre os imensos temas do repertório da artista, “Rosa branca” e o arrepiante “Gente da minha terra” acabaram por captar os maiores aplausos, para além de no final ter interpretado, surpreendentemente, o tema “Come as you are” dos Nirvana. Soberbo.
Acompanhada por músicos de excelência, com destaque para Vicky, que é somente um dos nomes maiores em Portugal da percussão, Mariza primou por uma atitude muito positiva, enérgica e extremamente interactiva com o público que não enchia por completo o Bailão. Cantou em crioulo, cantou temas de Amália Rodrigues e Rui Veloso e falou do seu percurso. Embora seja o espectáculo indicado para um recinto coberto, Mariza acabou por provar a sua polivalência – tal como já o tinha feito no Rock in Rio – e deixou uma certa “saudade”, ou não fosse o fado primariamente isso mesmo!


DIA 21 – RUI VELOSO

É um dos mais conceituados artistas portugueses e vem da velha escola do rock e do blues, completando este ano 30 anos de carreira. Serão muitos os grandes temas do artista para aqui enumerar, no entanto ninguém ficou impune á mestria do artista que dedicou parte do espectáculo aos temas acústicos e às baladas, acabando obviamente por passar pelo rock e pelo blues e oferecendo todos os seus grandes êxitos ao público angrense que, mais uma vez, ocupava o Bailão por metade.
Secção rítmica determinante com destaque para o baixista Zé Nabo, figura grande do rock nacional, decoração intimista e bem conseguida e uma voz que continua quente, segura e com sotaque do norte. Excelente momento das Sanjoaninas 2010.


DIA 22 – JOEL MOURA / GOMA

Tendo sido esta uma das noites menos concorridas pelo público ao recinto do Bailão, as luzes acenderam-se ao som do veterano Joel Moura, acompanhado pela sua banda composta por Kit, Paulo Cunha e Tiago Lima. Som muito característico, inspirado algures na primeira metade dos anos oitenta, este continua a ser um dos artistas mais originais da música açoriana. E não há meio-termo: ou adora-se ou odeia-se. “Rapariga de hollywood” já arrisca ser um dos hinos dos concertos de Joel Moura, artista sempre muito fiel à sua ideologia e à sua percepção de música. Nota positiva também para a componente visual que acompanha todo o concerto.
Os Goma já subiram ao palco do Bailão sagrados vencedores do concurso AngraRock 2010. Nos três anos da sua existência, os Goma já mostraram ser um dos melhores e mais coesos projectos açorianos, tendo mesmo já tocado em variados eventos em várias ilhas. Com uma fileira de músicos muito experimentados e maduros, os Goma tem uma sonoridade de agradável audição, primando a muito boa composição lírica em português, interpretada por uma voz que nos faz lembrar… Sobredotados. Tiveram aqui uma das melhores prestações ao vivo e foram – apesar de santos da casa não fazerem milagres – um dos melhores espectáculos das Sanjoaninas 2010. Tal como Flávio Cristóvam & Jamandizen, sofreram pelo facto do espectáculo ter um custo de dez euros, valor um pouco elevado para artistas locais, apesar da inegável qualidade dos mesmos…


Dia 24 – D´ZRT

Angélico, Edmundo, Vintém e Cifrão já se consagraram como ídolos dos adolescentes portugueses e depois de um breve interregno na carreira voltaram à carga pelos palcos do país. Uma autêntica máquina de fazer dinheiro, somam mais de dez platinas no conjunto dos três álbuns de estúdio. No entanto a noite em Angra foi um pouco fria e sem a receptividade de outros tempos. Os adolescentes não eram muitos, no entanto gritavam imenso. Os temas “Feeling” e “Para mim tanto faz”, dois dos singles mais conhecidos do conjunto, acabaram por ser os pontos altos do concerto com direito a encore, a muita dança, a um excesso de protagonismo de Angélico, aos mortais de Cifrão (um deles não conseguido…) e a uma irreverência geral já habitual. Referência mais que positiva para a secção rítmica baixo/bateria, de grande qualidade e com a predominância do baixista brasileiro a viver em Portugal, Ciro Cruz.


DIA 25 – FLOW 212

Esta recente dupla do Hip-hop nacional deu “um salto” na carreira pela altura do lançamento do primeiro single e videoclip “Tá hot” em que figura a conhecida Rita Pereira. Vagueiam facilmente pelo reggaeton, kuduro e kizomba, mostrando uma variedade de influências. No entanto demonstraram imensa fragilidade em palco, alguma imaturidade musical e pouca cumplicidade, para além do facto de terem um repertório curtíssimo. Actuaram 35 minutos e voltaram para repetir – durante outros tantos 35 minutos – alguns dos temas que já tinham cantado e para uma justaposição de alguns temas conhecidos da house e do hip-hop mundial (o que, como já devem ter adivinhado, passou por Black Eye Peas, como quase tudo actualmente…). E sobre eles está tudo dito.
Com eles cantou uma música o DJ Ângelo Rodrigues (actor de variadas séries, com destaque para Morangos com Açúcar) que entrou em cena ainda durante a actuação dos Flow 212 fazendo não de DJ, mas de MD (mete discos) e MC. Não fosse o repertório vastamente conhecido que escolheu (Black Eye Peas – claro – e David Guetta, por exemplo) e esta noite seria para esquecer, no entanto as pessoas só queriam era dançar. Transições e mixs neste artista têm um conceito diferente.
O termo certo para um deejay que fala ou canta por cima das músicas gravadas – o que ele estava a tentar fazer - é um selector, algo que Ângelo Rodrigues não tem a mínima noção como se faz. Por ser sexta-feira esta foi das noites com mais público no recinto, dançando até de madrugada.


DIA 26 – JAMES

Eram os mais desejados no palco do Bailão. A mítica banda de Manchester teve nos anos noventa a sua época de ouro, criando hinos da pop mundial e enchendo estádios em quase todos os continentes. Depois do regresso em 2008, os James tem actuado por toda a Europa e Estados Unidos promovendo o último curta duração “The night before”.
11 horas em ponto e lá estavam eles arrancando com um repertório recheado de sucessos como “Born of frustration”, “Sometimes” ou “Say something”. Muitos dos temas tocados saíram dos álbuns “Seven” e “Laid”, de 1992 e 1993, respectivamente, os dois álbuns mais bem sucedidos em vendas do colectivo britânico que, curiosamente, nunca conseguiu atingir o nº 1 da tabela de vendas. O Bailão estava quase cheio, aplaudiu e saltou efusivamente com uma banda que se entregou claramente à energia e carinho do público, convidando algumas pessoas a subirem ao palco (e outras convidando-se!) quase no final. Pode-se afirmar que – a par de Paradise Lost e Scorpions – foi dos espectáculos mais profissionais que se presenciou na Terceira.
Apesar da idade já avançada dos membros da banda, a qualidade técnica, a musicalidade e a cumplicidade foram evidentes. Nota mais que positiva para a excelente capacidade vocal que Tim Booth ainda preserva, chegando por vezes – no mínimo - a duas oitavas e sustendo por largos segundos sem vacilar. É assim que se fazem grandes concertos.


DJ´s

Nada a dizer, pois não os houve. Houve animadores. Para além do comentário já feito ao Ângelo Rodrigues, pouco mais há a dizer, embora os parabéns nesta vertente tenham que ir para Albano que, principalmente no sábado, dia 26, fez a animação pós concerto na perfeição passando por sons mais dançantes, pelo rock e pelo pop. Aposta muito fraca nos DJ´s, daí talvez a presença muito reduzida de jovens /adolescentes no recinto que, maioritariamente, gostam destas sonoridades e não de bandas mainstream.


NOTAS FINAIS / OPINIÃO

- Para o primeiro ano com espectáculos pagos nas Sanjoaninas julgo que o balanço deverá ser positivo, embora só a organização possa nos revelar os números e os valores depois de efectuado o relatório. Estou completamente de acordo com esta nova face das Sanjoaninas que só peca por vir tarde.
Só assim se garante bons espectáculos e artistas de nome internacional nestas festividades – sem que haja balanço final negativo, ou pelo menos que haja algum retorno – embora o preço de acesso ao recinto seja exagerado para o ano zero, mais ainda se comparado com as outras grandes festas da nossa ilha que já o fazem há seis anos, com preços mais baixos e com um cartaz muito mais completo, com uma oferta imensa e de maior qualidade de música electrónica, todos os dias que é o que realmente mantém o recinto cheio até de manhã, que vende pulseiras e dá lucro aos bares.
No entanto julgo que o caminho é este e apesar da polémica – normal nestas situações – o povo terceirense vai-se habituar a pagar como acontece em todo o lado.

- Preço elevadíssimo para a pulseira única nos dias dos artistas locais. Dez euros é muito caro, só lá vai quem tem o passe dos oito dias, os amigos e os familiares. Estes espectáculos têm que ter um preço simbólico, senão mesmo gratuito. Isto não ajuda em nada os artistas da casa!

- Noite de S. João excelente no Bailão, muito morna na rua de S. João…

- Boa nota para o PA, sistema luminoso e para a qualidade do som em todos os espectáculos.

- Boa coordenação da segurança no recinto, embora a sua vedação necessite ser repensada e melhorada. Muita gente a ver o espectáculo à borla e a tentar saltar.

- Coloco a questão: Diz-se Box Music, ou Music Box? É porque a mim só um me parece estar correcto e foi o que ouvi e li menos vezes…

in jornal "A União", 5 de Julho, 2010

quarta-feira, junho 23, 2010

Acho que para a semana vou escrever aqui...

Depois da minha última publicação - a 28 de Dezembro de 2008 - acho que vou deixar algumas linhas aqui neste vosso espaço que, teimosamente, continua a ter visitas, facto para o qual desde já agradeço.

É que estas Sanjoaninas tem tido muitos acontecimentos bons a nível musical, mas também tem sido um ano de polémicas e, sinceramente, depois de ler as (poucas) reportagens dos jornais locais só me apetece gritar!

Que falta de argúcia..., pela vossa saúde.

Ainda vou pensar durante o resto das festas, mas sim, acho que o Musicofilia vai voltar...