sexta-feira, janeiro 20, 2012

Sobreviverá a música em 2012?

Texto - Miguel Linhares

Não é novidade: em momentos de crise é sempre a cultura a maior prejudicada orçamentalmente. Em Portugal, claro.
Em países como a Ucrânia, Alemanha, Bélgica e Finlândia continua-se a achar de vital importância a aposta e investimento na cultura, a par da educação. São estes, afinal, os pilares da sociedade e dos bons costumes. Um país enriquecido culturalmente e educado é um país informado, sensível às questões e astuto. Nesse países, apesar de contidos, os aumentos e reforços do orçamento são fundamentais e indispensáveis para a formação e informação do povo.
Em Portugal – por razões que me ultrapassam completamente, mas que algum especialista poderá nos elucidar – continua-se a promover o desinteresse geral pela cultura e uma educação trapalhona. Extingue-se o Ministério da Cultura, transformando-o numa Secretaria-geral e aplica-se cortes na ordem dos 20%, 30%, apesar do ligeiro aumento no orçamento em 2010.
Tudo bem, em tempo de crise e contenção orçamental isso percebe-se, logo que não se continue a alimentar o que realmente está mal neste país: administradores a mais e demasiadamente bem pagos; institutos e fundações mal imaginadas, algumas nem sequer facilmente identificáveis; reformas milionárias que ultrapassam o razoável; luxos e mordomias para as altas patentes do estado que continuam a viver acima das possibilidades do país e obras efectuadas ao longo dos anos que só serviram alguns empresários e nada mais. Desperdício.
Com o aumento do IVA nos bens culturais (e a manutenção da taxa máxima nos discos, não sendo considerados bem cultural) prevê-se um país mais pobre a nível musical, menos dinâmico e cada vez mais a promover o facilitismo e a pirataria. Más noticias para a indústria musical – que nem é quem realmente aqui interessa – e para os artistas que neste país continuam a ser trabalhadores precários e de “segunda categoria”.

in jornal "A União", 16 de Dezembro, 2011

Música para mim é o mesmo do que para ti?!

Texto - Miguel Linhares

Não será demais abordar um tema que é recorrente, todos os anos, por esta altura: a falta de eventos, o adormecimento dos promotores e gerentes de espaços nocturnos.
Como sempre a cavalgada dos Dj´s e Md´s é triunfante, com muita sorte para estes, pois para além de haver vários espaços e eventos de electrónica, continua apesar de tudo a ser um género mainstream entre os mais jovens. Mesmo subdividindo esta categoria nas suas várias vertentes.
Quanto a conjuntos, principalmente de gente nova e com novas ideias, caso não sejam de música popular, brejeira ou a aclamada “pimba de coreto”, as portas estão meio fechadas à criatividade e à originalidade, sendo que a maioria dos projectos existentes na ilha, actualmente, categorizam-se facilmente no muito vasto género rock, desde o pop até ao metal.
Aqui também existem algumas excepções, poucas, de alguns iluminados – quase todos bem formados – uns de idade mais respeitável, mas a maioria cúmplices e camaradas dos “pátios de liceu”. Gente que fala muito, mas diz pouco. Gente que por alguma razão, a meio de um percurso curto e pouco produtivo a nível de criatividade, utiliza um snobismo e cobardia que conseguem sobrepor-se à qualidade técnica… o que em alguns casos seria difícil de alcançar. Mas conseguem-no!
Mas como dizia, fora estas poucas excepções bem apadrinhadas, o cenário é negro para o camarada de 15, 18, 22 ou 35 anos que formou uma banda, até concorreu ao AngraRock e não se safou mal, criou vários temas originais – com pés e cabeça – com uma mensagem positiva, até interventiva, junta-se com os amigos várias vezes por semana e tem um amor incondicional à música. Para este músico, as portas são pequenas e não passam todos. Para pisar um palco grande – desprestigiante para alguns “entendidos” da música – como as Sanjoaninas ou as Festas da Praia, será necessário enquadrar-se num subgénero que não fuja ao habitual.
Aqui a culpa também é das rádios locais que não fazem por diversificar, por educar os ouvidos. Fora os artistas que estão nos top´s ou os dos anos oitenta – que estão muito na moda – todo o restante cenário musical é um grande blur incógnito. E daí aparecem os rótulos: ou é música influenciada pelo consumo de estupefacientes, ou é música de satanás, ou é música de incompreendidos e desalinhados, ou é… “o que é aquilo, é música?”.
Fico agradado de ver três ou quatro espaços nocturnos na Terceira que contradizem quase tudo o que afirmo e que realmente vão apostando na diversidade, sem descriminação. Se formos a ver bem, alguns deles primam por serem os mais frequentados e, acima de tudo, os mais bem frequentados, vá-se lá saber porquê…

in jornal "A União", de 26 de Outubro, 2011

sexta-feira, dezembro 16, 2011

October Flight - disco de estreia em 2012

October Flight, assim se chama o projecto de Flávio Cristovam anteriormente denominado Jamandizen.
O lançamento do disco de estreia, "The Closing Doors" deverá acontecer no final do primeiro trimeste de 2012.
Flávio Cristovam estará hoje, dia 16, pelas 13:0 no RCA em entrevista, onde poderá se ouvir pela primeira vez temas do novo disco.

ROCK 4 CHARITY 2ª EDITION 2011

Há um ano três amigos, num serão à conversa, decidem fazer algo pelo (s) outro (s), deixar de lado o queixume e a postura passiva, ajudando famílias que estivessem a passar dificuldades.
A conversa e as boas intenções poderiam ter ficado por isso mesmo (quantas não ficam?), mas não ficaram… Com a ajuda de um cartaz apelativo, as redes de comunicação ajudaram a “passar a palavra”… e de 3 passamos para 5… para 10…para 30… e o número de pessoas que colaboraram de forma direta e indireta excedeu as expectativas. A este projeto, junta-se também um grupo de gente bem-disposta, a Urkesta Filarmoka, que conseguiu conciliar (e bem!) a música com a solidariedade, e assim apoiamos, em 2010, 33 famílias do concelho de Lagoa, Ponta Delgada e Ribeira Grande.
Se no ano de arranque este projeto solidário fazia sentido, em 2011 faz mais sentido ainda. Sabemos que ao reunirmos sinergias conseguimos chegar mais longe e, este ano, contamos desde o início da organização com a Urkesta, juntando-se igualmente o Projeto São Lucas (Centro Paroquial e Social de S. José), surge a Missão Acreditar 2011. Esta terá também a colaboração da Empresa Municipal de Lagoa e AJAV.
E como poderá dar o seu contributo?
- Divulgando… divulgando… divulgando….
- Doando bens alimentares nos pontos de recolha existentes no Concelho de Lagoa, Ponta Delgada e Ribeira Grande (consultar cartaz).
- E divertir-se nos concertos a serem realizados a 16 e 17de Dezembro (para miúdos e graúdos) nas Portas do Mar.

Ajude-nos a desencadear uma onda de sentimentos nobres e a dar fartura, sobretudo, de alimentos e de afetos a quem mais precisa.

Colabore connosco!

Para mais Informações:
296 629 295 (Centro Paroquial de Bem-Estar Social de São José)

quarta-feira, dezembro 14, 2011

João da Ilha lança primeiro trabalho

Foi no passado Sábado, dia 10 de Dezembro que na Casa da Baía em Setúbal João da ilha apresentou o seu primeiro disco oficial, "Amanhecer".  O trabalho está à venda através do site  www.joaodailha.com (envio à cobrança), através de formato digital em http://joaodailha.bandcamp.com/ e através de algumas lojas que em breve serão divulgadas.
Ainda no dia 13 de Dezembro participaram no Evento IPS Solidário, no Auditório da Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal.

Alma Rasgada apresentam disco

Será no próximo no dia 17 de Dezembro o concerto de lançamento do C.D. "Coração de Basalto", no Teatro Faialense , do Grupo "Alma Rasgada" www.wix.com/jcgoulart/alma-rasgada
 
Na primeira parte do espectáculo estará ao vivo o mítico António Manuel Ribeiro dos UHF, em versão acústica acompanhado pelo seu filho à guitarra, António Corte Real e o espectáculo inclui multimédia.

sexta-feira, setembro 16, 2011

AngraRock morno e pouco temperado.

Texto - Miguel Linhares / Fotos - Catarina Vieira


No primeiro fim-de-semana de Setembro voltou ao Bailão o festival AngraRock, depois de um interregno forçado de um ano. Apesar de aparentemente voltar com um orçamento reduzido em relação a anos anteriores, a expectativa era de vir trazer algo de novo aos amantes do género.
Primeira alteração notória foi o facto de as entradas passarem a ser pagas, algo que obviamente deve ter preocupado a organização pelo relativo “comodismo” e pouca compreensão que os terceirenses mostram em relação a eventos pagos. Chamar-lhe-ia maus hábitos, pois eventos gratuitos não geram receitas, criam maior despesa, dificultam o pagamento de artistas de qualidade e desprestigiam – diria eu – o próprio evento e os artistas envolvidos. Uma coisa é ter o recinto cheio gratuitamente, outra, muito melhor, é ter o recinto meio cheio ou quase cheio com entradas pagas. Para o próprio artista é mais cómodo saber que quem lá está, pagou para o ver e não está lá “por acaso”.
Quanto ao cartaz, os artistas apresentados traziam pouco interesse a quem frequenta normalmente o evento, apesar de a produção afirmar que o conceito rock é muito vasto – e é – no entanto foi quase sempre mantido uma linha nos diversos cartazes dos últimos 10 anos que respeitava uma linha rockeira mais tradicional/alternativa, menos indie, menos pop e menos electrónica, excepção feita claro aos domingos do AngraRock que eram feitos para encher recinto, normalmente numa linha sempre mais pop/comercial.
O resultado de um cartaz com Caim, Noidz, GNR e Punkada! – para além do DJ (!) Bodyrox e de Poeta Urbano & DJ Silverstar – foi um festival muito morno em que o que acabou por ser mais interessante foi mesmo a irreverência e o excelente espectáculo visual e gráfico dos Noidz. Para lá de tudo isto fica a excelente prestação dos três primeiros classificados do concurso AngraRock, Eyes for the Blind (vencedores), Crossfaith e Nomdella. Embora qualquer um destes três com prestações boas, o destaque talvez tenha que ir para os Crossfaith a nível de execução, os Eyes for the Blind a nível de musicalidade (mas a necessitar de mais ensaio no campo rítmico) e presença em palco e para os Nomdella em presença em palco e cumplicidade com o público.
Quanto aos principais artistas, fica patente – como já referi – a irreverência dos Noidz, com um espectáculo muito visual, enérgico, de riffs poderosos e batidas frenéticas (de entre alguns temas surpreendentes, fica uma cover muito interessante de Madredeus…) e o recurso abundante, mas necessário neste tipo de projecto, a sons gerados por sintetizador.
Os madeirenses Caim apresentaram um som funk/rock por vezes cativante, com vocalizações bem conseguidas e alguns temas orelhudos, já os faialenses Punkada! que já são repetentes nos palcos terceirenses e apesar de um concerto muito poderoso e directo, não trouxeram nada de novo por ser um repertório de covers e versões de Rammstein.
Quanto aos GNR, também estes repetentes nos palcos terceirenses, vieram oferecer um repertório de muitos sucessos e hits de rádio, mais ou menos bem conseguidos, estando o público um pouco indiferente à sua actuação, talvez – digo eu – pelo subjectivo sentido de humor do seu líder e, quem sabe, pela sua boa disposição suspeita, com direito a tropeções e bamboleamentos… Boa nota, como quase sempre, vai para a banda que infelizmente não tem o carisma do seu líder.
Para finalizar, um recinto sempre mais para o meio vazio, do que para o meio cheio, esteticamente sem qualquer tipo de produção, segurança eficaz e atenta e uma qualidade sonora aceitável. O tempo ajudou e esteve do lado da organização.
Apesar de alguns meios de comunicação social afirmarem o contrário, este não foi de todo um AngraRock a relembrar e deixa saudades de outras grandes noites no recinto do Bailão, embora tenha que ser tido em conta o limite orçamental da produção. Para estes, pelo esforço e pela coragem de colocar mais uma edição em pé, fica os parabéns.
Em 2012 que voltem, com melhor orçamento se possível, e com uma estrutura repensada e redesenhada, mais atractiva e dinâmica. Mas esta é a minha opinião, vale o que vale, assim como as outras… 

in jornal "A União" - 16 de Setembro de 2011

quarta-feira, setembro 14, 2011

Live Summer Fest 11

Nos próximos dias 23 e 24 de Setembro realiza-se no Coliseu Micaelense a 4º Edição do festival “Live Summer Fest”.
A edição de 2011 apresenta um grande cartaz com dois dias, sendo as bandas cabeças de cartaz os portuenses Tarantula no dia 23 e os canadianos Threat Signal no dia 24 de Setembro.
O festival conta ainda com os micaelenses Crossfaith, Nableena, Death Paradox e Neurolag e os terceirences Anomally e Nomdella. A apresentação e “After party” estarão a cargo de Filipe Marta MJ “Imperatore”.
Os bilhetes encontram-se à venda na bilheteira do Coliseu Micaelense com o valor de 3€ por dia, ou 5€ para os dois dias. A bilheteira está aberta de Segunda a Sábado das 13h às 20h.

Concerto Fim de Férias

Nos próximos dias 16 e 17 Setembro acontece no Porto das Pipas o evento Concerto Fim de Férias, uma organização da Culturangra EEM
Sendo assim, a 16 de Setembro actuam os Eyes For the Blind (vencedores AngraRock 11), Jamandizen (vencedores AngraRock 09) e Poeta Urbano & DJ Silver Star.
No dia 17 de Setembro será a vez dos Anomally, Faz de Conta e RAM. Em qualquer um dos dias o início dos espectáculos está marcado para as 22:30.

Festas de São Carlos 11 - Noite Rock

Integrado nas festas de S. Carlos 2011, ocorrerá a noite rock, no palco da Canada Nova, no próximo dia 23 de Setembro com a presença dos Manifesto e dos faialenses Punkada.
O inicio está marcado para as 21:30.

terça-feira, julho 19, 2011

8º ANIVERSÁRIO SOUNDZONE - 17 de Setembro, Coliseu Micaelense

Chamam-se TRIGGER MADE SOLUTION e são uma das mais aguardadas propostas do metal pesado açoriano. Formados em 2010, contam nas suas fileiras com elementos muito experientes que marcaram a história da música local com projectos como Hangover/Tolerance 0, Hatin’ Wheeler, Oppressive e Spinal Trip.
 
Invocam influências de Textures, Devildriver, Pantera e Lamb Of God, e farão a sua estreia absoluta (!) no dia 17 de Setembro no Coliseu Micaelense, durante o 8º aniversário da SoundZone.
 
Neste momento encontram-se a concluir a gravação de três temas que serão apresentados no final de Agosto, bem como um videoclip a estrear no próprio festival.
 
O 8º aniversário de uma das mais antigas e activas publicações dedicadas ao Heavy Metal em Portugal, será encabeçado pela grande sensação da nova vaga do thrash metal europeu, vinda directamente de Espanha, os ANGELUS APATRIDA.
 
O evento fica igualmente marcado pela participação das bandas regionais CARNIFICATION, SUMMONED HELL e FAKE SOCIETY e pela segunda edição da exposição digital “Cosmogenia Urbana”.
 
Esta é uma co-produção SoundZone e Coliseu Micaelense, com os apoios do Governo Regional através da Direcção Regional da Juventude, ANIMA, Restaurante O Giro, Oficina da Música, Loud Magazine e Nova Gráfica.
 
Os bilhetes estarão à venda na bilheteira do Coliseu Micaelense a partir do dia 1 de Setembro ao preço único de 5,00 EUR.

III EDIÇÃO DO CONCURSO LABJOVEM

Continuam abertas as inscrições para a III Edição do Concurso LABJOVEM – Concurso de Jovens Criadores.
O Concurso LABJOVEM é um projecto do Governo dos Açores, através da Direcção Regional da Juventude, e com organização da Associação Cultural Burra de Milho, que visa incentivar e promover jovens criadores das diferentes áreas artísticas, servindo de plataforma a uma nova geração de artistas açorianos.
Do concurso resultará uma selecção de projectos que serão apresentados nos Açores sob o formato de Mostra Regional.
A Mostra LABJOVEM é um programa itinerante e que pretende, de forma continuada, difundir o trabalho dos jovens criadores. De entre os projectos seleccionados em cada área para integrar a Mostra Regional, será também seleccionado pelo júri do concurso LABJOVEM um projecto ao qual será atribuído um prémio.
Podem concorrer jovens até aos 35 anos, à data de 31.12.2011, que cumpram uma das seguintes condições:
a) naturais nos Açores;
b) que vivam nos Açores há pelo menos 2 anos;
c) descendentes de açorianos até à 3ª geração.
Candidaturas até 31 de Outubro de 2011.

Para mais Informações:
www.labjovem.pt

VOLUNTARIADO SW TMN 2011

A Fundação da Juventude procura voluntários para actividades que serão levadas a cabo no Festival Sudoeste TMN, que decorrerá entre os dias 3 e 7 de Agosto.
Os jovens candidatos devem ter idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos e nível de escolaridade igual ou superior ao 12º ano, de qualquer área de formação.
Os seleccionados terão direito a seguro, alimentação, local seguro para “montarem a tenda” e certificado. O transporte dos voluntários para o recinto estará a cargo da TMN, que disponibilizará uma camioneta com paragens nas cidades do Porto, Coimbra e Lisboa.
A candidatura pode ser, desde já, formalizada, mediante o envio da ficha de inscrição (em anexo), devidamente preenchida (acompanhada de cópia de B.I/Cartão de Cidadão/N.º Contribuinte e Curriculum Vitae), para o seguinte E-mail: pgraca@fjuventude.pt (Paula Graça).
Para mais Informações:
Paula Graça

segunda-feira, julho 11, 2011

Musicofilia novamente em formato de papel.

Olá a todos.

Passados quase dois anos desde o interregno do Musicofilia, eis que este volta ás páginas do jornal "A União", sendo que na maioria das vezes sairá à quarta-feira, como era habitual.

Esta semana saiu no sábado passado, com a review do AngraRock assinada pelo Miguel de Aguiar, uma crónica sobre as Sanjoaninas 2011, assinada por mim - Miguel Linhares - e uma agenda tão actualizada quanto possível.

A promessa não é que a página saia todas as semanas - até porque não existe matéria suficiente para tal - no entanto tentaremos que seja quinzenal. Um dos objectivos desde regresso é o simples facto de não existir ninguém na Terceira - e nos Açores são cada vez menos - a fazer este tipo de cobertura e de crónica. Isto não dá dinheiro, por isso não interessa a ninguém. Para quem gosta de música tal é inaceitável e os músicos amadores merecem o devido destaque e promoção.

O Musicofilia tentará ser regular e acima de tudo imparcial, exceptuando o caso das crónicas que mais não são do que opiniões de quem as assina. Obviamente que a vida pessoal e profissional nem sempre deixa que nos dediquemos a 100% a isto, mas tentaremos estar em cima do acontecimento!

Enviem a vossa agenda e notícias para musicofilia@portugalmail.com e divulgaremos sempre que possível. Tudo o que aconteça nos Açores - ou fora da região, mas que envolva artistas e/ou projectos açorianos - interessa-nos.

Grande abraço a todos os camaradas que apoiam este projecto!

Miguel Linhares

quarta-feira, julho 06, 2011

Review Angrarock 2011


Texto - Miguel de Aguiar / Foto - Catarina Vieira

Doze anos já se passaram desde a primeira edição daquele que é o mais importante concurso de música moderna nos Açores. Esta 12ª edição contou com a participação de dez bandas, nove da ilha Terceira e uma de S. Miguel.
Justiça da Noite, Kate Millery, The Doit, Zero a Zero e Art Capital foram as 5 bandas presentes na primeira eliminatória que decorreu no passado dia 9 de Junho. Novatos nestas andanças, os Justiça da Noite apresentaram-se com 3 temas em português fazendo lembrar um pouco Xutos e Pontapés, com algumas falhas técnicas a nível de percussão, a banda demonstrou algum nervosismo natural de uma banda que ainda está numa fase embrionária.
Numa vertente bem mais calma seguiu-se Kate Millery fazendo-se acompanhar da sua viola acústica e de uma grande claque de fãs, esta jovem interpretou três temas de sua autoria, a pouca variação de tom da sua voz foi o ponto fraco da sua prestação.
O que acontece quando vários amigos de universidade com gosto pela música se juntam? Formam os The Doit. Com algumas atuações já dadas anteriormente como banda de covers estes participam no concurso com 3 originais de sua autoria em que vão buscar as mais variadas influências de cada membro do grupo desde o Heavy Metal ao Rock mais comercial. Uma prestação da qual destaca-se os temas “Ashtray of Memories” e “Liliith”.
Zero a Zero foram uma das surpresas da noite. Hugo Ferreira e João Ribeiro, dois multi-instrumentalistas apresentaram 3 temas bem distintos a quem esteve presente no Centro Cultural, “Morte ao Romantismo”, “Gastas Palavras” e “Como te Impressionar” variaram não só em estilo musical como nos instrumentos tocados por Hugo Ferreira tendo demonstrado habilidades em instrumentos como bateria, baixo e ainda voz. “Como te Impressionar” foi sem dúvida o tema mais bem conseguido tendo mesmo impressionado os presentes pela originalidade apresentada neste concurso, em tom de paródia o tema foi apresentado e explicada a razão pela qual optaram pelo nome do projeto e ainda a razão por estes terem gravado um video em que os dois aparecem a tocar bateria e teclado acompanhando assim a sua prestação ao vivo do seu tema mais alegre.
Para finalizar a noite da primeira eliminatória estava reservado, sem dúvida, o projeto que mais curiosidade deixava. Art Capital junta membros bem conhecidos do nosso panorama musical, Bruno Moniz na guitarra (Lithium), Freddy Duarte no baixo (Manifesto), João Cardoso na bateria (Resposta Simples) e Marta Inácio na voz (ex-Penumbra) criaram tudo menos aquilo que seria o óbvio. Rock Alternativo fazendo lembrar bandas como The Gathering ou até mesmo os nacionais Cinemuerte foi o que este projeto apresentou a quem esperava algo um pouco diferente. Músicas melancólicas em que o baixo teve preponderância, com riffs de guitarra simples e uma bateria com laivos progressivos serviram de base para a voz melodiosa de Marta Inácio acompanhada ocasionalmente pela voz de Bruno Moniz em” Black Cats” e “Flatline”.
Para a segunda eliminatória estavam guardadas as bandas de peso como Eyes For The Blind, Nomdella e Beyond Confrontation ficando ainda para ouvir a banda vinda da ilha vizinha S. Miguel os Crossfaith e o já habitual Joel Moura.
O Groove balanceado dos novatos Eyes For The Blind não passou indiferente a quem esteve presente na segunda eliminatória e foi com temas como “Beneath a Bleeding Sky” e “Buried by God” que o quinteto marcou a sua prestação.
Quem tem acompanhado o Angra Rock desde a sua primeira edição sabe que Joel Moura é um nome incontornável, quer se goste ou não, e é uma presença assídua deste concurso e desta feita veio acompanhado de João Lemos na viola acústica. Um início instrumental que praticamente passou despercebido do público presente seguindo-se de imediato para “Zamfir” e “Indiscutivelmente” dois temas que mantém o espírito intervencionista de Joel Moura.
Numa vertente bem mais pesada apresentaram-se os Nomdella com três novos temas em que mostraram novas influências, a bateria progressiva e riffs de guitarra a lembrar os mestres do Death Metal progressivo Opeth são as mais notórias alterações no som desta banda que já conta com alguns anos de experiência tendo já inclusivé arrecadado o segundo lugar neste mesmo concurso no ano de 2008. Temas longos, incluindo um instrumental com cerca de 9 minutos, foram o ponto fraco da sua prestação para um concurso.
Após a actuação dos Nomdella subiram ao palco os micaelenses Crossfaith, banda com 7 anos de existência e um álbum na sua bagagem os Crossfaith deslocaram-se à cidade património mundial com vontade de arrecadar o primeiro lugar e trouxeram 3 fortes trunfos na manga. “Travel Stop” foi o primeiro mostrado ao júri, um tema catchy com um refrão orelhudo capaz de fazer sucesso nas rádios, de seguida “So Far Yet So Close” foi o tema com que os micaelenses embalaram o Centro Cultural e para finalizar estava “Grave Diggers” dedicado ao clube de motards de S. Miguel, uma malha com cheiro a anos 60.
Para finalizar a noite da segunda eliminatória estavam reservados os Beyond Confrontation, antigos System Failure mantiveram o mesmo estilo musical alterando apenas o guitarrista contando a banda com Victor Alves acompanhando Artur Reis. As letras apresentadas no projetor fizeram o público presente abstrair-se um pouco da atuação da banda no entanto foi possivel ver que Artur Reis continua a dominar o seu instrumento chegando até mesmo a brincar com ele no tema “Veritas vos liberabit”. A actuação do quinteto ficou marcada ainda pelo esforço extra por parte do seu baterista João Direitinho manifestamente lesionado.
Após a actuação das bandas da segunda eliminatória o júri constituido por Pedro Madaleno (músico e professor), Tiago Alves (músico) e Paulo Sousa Ávila (músico e artista plástico) reuniu para decidir as cinco finalistas. Crossfaith, Beyond Confrontation, Nomdella, Art Capital e Eyes For The Blind foram por decisão do júri os cinco projetos que mais se destacaram. Atuando pela ordem que foram apresentados, os finalistas estiveram todos ao nível das eliminatórias. O à vontade em palco por parte de bandas como Crossfaith foi o contraste do nervosismo apresentado por bandas menos experientes como os Eyes For The Blind, a adesão do público durante a atuação dos Nomdella que incentivaram aos presentes para se juntarem ao palco para um Headbanging contrastou com a reação um pouco amena em relação a projetos diferentes como Art Capital.
No geral as suas atuações foram ao mesmo nível das duas eliminatórias que serviram para escolher os cinco finalistas tornando esta uma final bem disputada. Após a grande final houve tempo para recordar os vencedores da edição de 2010 do concurso Angra Rock, os Goma. Cerca de 30 minutos foi o tempo que o júri levou para tomar a grande decisão de quem seria este ano o vencedor desta 12ª edição do concurso e no 3º lugar ficaram os Nomdella, no 2º os micaelenses Crossfaith e os grandes vencedores do concurso Angra Rock de 2011 foram os estreantes Eyes For The Blind.
Para além do prémio em valor monetário de 500, 1000 e 1500€ respectivamente, para cada vencedor está guardada a presença no festival Angra Rock que após um ano de interregno está de volta ao cartaz cultural de Angra do Heroísmo, este ano com os portuenses GNR como principal atração juntando-se assim a nomes como Punkada!, Poeta Urbano e Silver Star entre outras outras duas bandas ainda por anunciar.
Esta trata-se de uma iniciativa da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e Culturangra, com produção da Azor Waves.