Realmente sofro de uma certa nostalgia, ainda mais quando noto que não existe muita criatividade musical a sair dos jovens. A falta de incentivos não pode ser um argumento, visto que só é necessário muita vontade para se juntar um grupo de amigos e começar a tocar numa garagem qualquer, seja com que material for. Obviamente que se for para trazer projectos à rua é preciso haver condições, mas isso adquire-se com o tempo. Quando comecei nesta “brincadeira” dos grupos ensaiava-se em qualquer sítio, com material limitadíssimo, de pouca qualidade, não raras as vezes juntava-se duas pessoas a tocar com um violão e uma bateria que nem merecia esse nome, mas o entusiasmo era sempre enorme! Ainda assim, há uns 10 anos atrás haviam mais grupos de Rock na Terceira do que há hoje e haviam mais concertos. Muitas foram as bandas que saíram dos pátios do liceu, tendo algumas resistindo até à data, mas existe uma que apesar de pouco tempo de actividade primou pela ousadia. Eram os Deathfull, vinham da Agualva e eram fãs dos Paradise Lost, sendo este o som que praticavam, Metal Gótico, pesado, sujo, negro. Não me consigo lembrar se tinham temas originais, mas lembro-me que tocavam temas como “True Belief” e “As i die” dos já mencionados Britânicos. Tinham atitude, presença em palco e sempre muita gente a ver os concertos, aliás, facto este, que seria agradável de ver actualmente nos concertos Rock. A vida não lhes incentivou a continuar com o projecto, só eles sabem porquê, mas ficou meia dúzia de concertos registados que quem saia à noite naquela altura lembra-se bem. Eram a banda mais “Heavy” que nós tínhamos por cá e se calhar se tivessem continuado talvez envergonhassem muitos meninos que de á uns anitos para cá passaram a ser “metaleiros”. Não eram uma banda de ocasião, sempre que eram contactados iam actuar fosse onde fosse, sempre vestidos de negro e com a postura necessária, rasgando com sonoridades pesadas e deprimentes.
Não faço a mínima ideia do que é feito deste projecto, que já deve estar muito bem enterrado, infelizmente, mas ainda gostava de vê-los a actuar um dia destes com a mesma postura que tinham naquela altura. Serviria de exemplo a muitos com certeza e seria de louvar ver uma reunião ao fim de tantos anos. Talvez ouçamos falar deles um dia destes, quem sabe? Nada é impossível…
in jornal "A União", 27 de Abril 2005
quarta-feira, abril 27, 2005
segunda-feira, abril 18, 2005
DH distro: Manifesto com demo cd já disponível!!
Já está disponível o demo cd dos Manifesto, punk rock dos Açores, 100% intervenção. São 4 temas, um dos quais cover de Zeca Afonso, num excelente artwork com cd e capa impressa em fábrica. "R24", "Estrela vermelha", "Sol da plenitude" e "O que faz falta", por 3,50€, quem quiser adquirir é só enviar email para thegreatdirtyhouse@hotmail.com. Também estará disponivel por aí nalguns concertos, juntamente com mais material da Dirty House distro a anunciar em breve, larguem o alcool e mantenham-se atentos.
in Dirty House.blogspot.com
in Dirty House.blogspot.com
terça-feira, abril 12, 2005
De volta!
Peço desculpa a todos os quantos me visitam neste blog - já agora, obrigado por ao fim de três meses o musicofilia já ter ultrapassado as 1000 visitas, mostra que vale a pena estar aqui a escrever! - mas tive problemas no meu PC e só agora tenho novamente acesso á internet. Como sabem fizémos o nosso concerto de apresentação do Demo CD na Fanfarra Operária, o que se revelou um grande sucesso, a noite foi maravilhosa e dai para cá já vendemos quase todos os CD´s, sendo que uma segunda tiragem está a caminho pois a procura é maior do que se pensava, obrigado a todos pelo apoio. e nunca se esqueçam, manifestem-se pelos vossos ideais!!!
quinta-feira, março 24, 2005
Demo CD - Manifesto

Cartaz do evento

Será amanhã, quinta-feira, à noite que se realizará por volta das 23:00 um concerto com o intuito de apresentar o Demo CD dos Manifesto. O espectáculo que pretende ser algo intimista e muito directo ao público, terá a abertura a cargo dos Resposta Simples que vão romper essencialmente com os temas do seu Demo CD, “Teatro da Vida” agora em fase de promoção.
Os Manifesto, anteriormente conhecidos como Sangue ou Punk, são de Angra do Heroísmo e existem desde 1997, apesar de terem um trajecto muito irregular devido a motivos académicos/profissionais. Desde o ano passado com uma aposta mais forte numa sonoridade Punk Rock com cariz de intervenção, cantado em Português, os Manifesto fizeram algumas actuações importantes, de realçar o espectáculo em Junho passado no Hard Club, na cidade do Porto ao lado dos Doink e em Agosto passado a partilharem palco no festival Acção Directa, em Angra, com os Mata – Ratos.
Desde já todos estão convidados a comparecerem neste concerto, num bom ambiente, onde também haverá merchandising, um balcão de comida vegetariana e muita divulgação de informação alternativa!
sábado, março 19, 2005
Balanço positivo
E assim foi, andámos uma semana pelo continente e para além de se tirar umas férias, os grupos Lithium, VelvetStone e Manifesto tocaram no Insólito Bar na linda cidade de Braga e na Discoteca Maus Hábitos no centro da cidade do Porto, tento tido alguma afluência de público tendo em conta o total desconhecimento dos grupos no roteiro nacional.
Muitos outros concertos deveriam ter acontecido e em lugares ainda mais importantes para qualquer banda de Rock, mas devido a muitos contratempos e esperas relativamente aos apoios que iriamos ou não ter, o projecto deixou muito a desejar á "9xRock=Açores" que apesar de ter tido aqui a sua primeira grande experiência, já ficou com uma noção do que é que pode e deve ser feito e o que deve ser evitado. No geral o objectivo foi cumprido, os grupos puderam tocar em lugares diferentes, com algum público que não é o seu habitual, foram aplaudidos e o nome dos projectos musicais envolvidos, da 9xRock e dos Açores ficou durante aquela semana retido num publico que pretende ser o alvo deste projecto.
De minha parte e por enquanto só tenho isto a dizer. Os mais atentos aos meus artigos no jornal "A União" devem ter reparado que nas ultimas duas semanas não fiz trabalho nenhum, mas para a semana o "Musicofilia" volta com mais algumas noticias locais e se possivel com uma página inteiramente dedicada a esta experiência e com todos os pormenores. Se calhar será feita a apresentação oficial do que pretende ser a 9xRock=Açores, assunto este que ainda vai ser discutido pelos seus mentores. Desde já muito obrigado a todos os que ajudaram este projecto, todos serão nomeados publicamente. Obrigado
Muitos outros concertos deveriam ter acontecido e em lugares ainda mais importantes para qualquer banda de Rock, mas devido a muitos contratempos e esperas relativamente aos apoios que iriamos ou não ter, o projecto deixou muito a desejar á "9xRock=Açores" que apesar de ter tido aqui a sua primeira grande experiência, já ficou com uma noção do que é que pode e deve ser feito e o que deve ser evitado. No geral o objectivo foi cumprido, os grupos puderam tocar em lugares diferentes, com algum público que não é o seu habitual, foram aplaudidos e o nome dos projectos musicais envolvidos, da 9xRock e dos Açores ficou durante aquela semana retido num publico que pretende ser o alvo deste projecto.
De minha parte e por enquanto só tenho isto a dizer. Os mais atentos aos meus artigos no jornal "A União" devem ter reparado que nas ultimas duas semanas não fiz trabalho nenhum, mas para a semana o "Musicofilia" volta com mais algumas noticias locais e se possivel com uma página inteiramente dedicada a esta experiência e com todos os pormenores. Se calhar será feita a apresentação oficial do que pretende ser a 9xRock=Açores, assunto este que ainda vai ser discutido pelos seus mentores. Desde já muito obrigado a todos os que ajudaram este projecto, todos serão nomeados publicamente. Obrigado
quarta-feira, março 09, 2005
9xRock report...
E assim acontece, cá estamos no Porto a preparar o concerto de hoje á noite. O pessoal está muito positivo e julgo que vai correr bem! Depois será contado aqui em primeira mão os acontecimentos, assim como do concerto de sexta feira em Braga. Está um frio terrivel e não se aconselha para quem tem que tocar, mas vai-se fazendo aquecimento ás dobradiças... Amanhã haverá mais novidades! Até lá...
sexta-feira, março 04, 2005
segunda-feira, fevereiro 28, 2005
Countrstrike
Era suposto ter sido uma grande noite, mas devido a alguns problemas, incluindo as baixas de luz que se fizeram sentir durante o sábado na nossa ilha (obrigado EDA), não correu como esperado e acabou por não se realizar o confronto entre os 3 clãs que lá estavam para lutar! Fica para um proxima oportunidade, com mais sorte e tempo, em que com certeza a competição vai-se notar.
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
A crise continua...
No meio de uma panóplia de livros, andei aos tropeções com o conteúdo de um que apesar de ser mais velho que eu, é muito actual na sua essência. Intitula-se "Vencer a crise, preparar o futuro" e retrata o primeiro ano do governo constitucional, pós 25 de Abril e é uma publicação da responsabilidade do gabinete do Secretário de Estado Adjunto do Primeiro - Ministro para os Assuntos Políticos e tem a coordenação do jornalista Nuno Vasco.
Nessa altura era Presidente da Republica o General Ramalho Eanes e Primeiro - Ministro o Dr. Mário Soares, sendo estas das primeiras figuras eleitas democraticamente, passados os mais de 30 anos de fascismo e repressão politico - social! Naquela altura, obviamente, tentava-se vencer a crise, senhora burguesa bem alimentada e viciada em todo o país, e agora que leio este livro passados 20 e poucos anos da sua publicação, encontro tantas semelhanças... semelhanças na preocupação do povo Português em querer esqueçer um passado doloroso, cada um com a sua ferida é claro, mas ainda assim doloroso. Naquela altura tentava-se esquecer o Salazarismo, hoje em dia tenta-se esquecer o Barrosismo/ Santanismo e ainda todas as figuras tristes que o CDS/PP fez nos ultimos dias. Naquele tempo combatia-se por liberdade, por pão, por direitos, défices orçamentais...etc., hoje em dia luta-se por empregos, oportunidades, direitos, e também défices orcamentais! Naquele tempo queria-se sair do lamaçal, hoje em dia - em bicos de pés -tentamos não cair no lamaçal.
Não me esqueço da arrogância infantil e de má perdedor que o Nobre Guedes demonstrou no directo da TVI, quando foi confrontado com as perguntas dos jornalistas e com os comentários dos vencedores da noite. Muito mau para um político de 1ª linha... A cara de Paulo Portas inspirava uma amargura tremenda, por ter a confirmação daquilo que ele próprio já sabia, mas fingia não saber, mais, evocou novamente o nome de Deus em vão, homessa o que pensarão desta vez os bispos, para os quais se calhar era dirigido aquele "estou-me nas tintas para o que pensarem" que o Portas da Direita afirmou? Nesse entretanto tinhamos um Portas de Esquerda sorridente, pelo aumento de 5 deputados do seu partido, perfazendo agora 8 cadeirinhas no parlamento. Os jantares desta familia devem ser muito interessantes...
Só mesmo o Euro 2004 poderia animar este povo que está cansado e inseguro. Se pertencemos a este lote primeiro mundista, temos que evoluir e mostrar que somos um país capaz de movimentar valores e decisões, não nos podemos assentar em políticas do faz - de - conta que remetem-nos para a cauda da Europa em todos os aspectos reprováveis! Fico feliz por ver que desta vez as pessoas conscientemente foram ás urnas, finalmente puderam dar uma utilidade ao voto, arma poderosa para o povo de uma nação democrática.
Continuo a ter como lema "A tua indiferença é o poder deles!", se não votamos, contribuímos para a ascensão do indesejável e depois como poderemos criticar aquilo que nem foi objecto da nossa reprovação na hora do voto?! Onde estávamos na hora do voto? Em casa a não tomar parte do nosso próprio futuro! "Vencer a crise, preparar o futuro" é o titulo do referido livro datado de 1977, mas poderia ser também o titulo de um livro datado de 2005...
Nessa altura era Presidente da Republica o General Ramalho Eanes e Primeiro - Ministro o Dr. Mário Soares, sendo estas das primeiras figuras eleitas democraticamente, passados os mais de 30 anos de fascismo e repressão politico - social! Naquela altura, obviamente, tentava-se vencer a crise, senhora burguesa bem alimentada e viciada em todo o país, e agora que leio este livro passados 20 e poucos anos da sua publicação, encontro tantas semelhanças... semelhanças na preocupação do povo Português em querer esqueçer um passado doloroso, cada um com a sua ferida é claro, mas ainda assim doloroso. Naquela altura tentava-se esquecer o Salazarismo, hoje em dia tenta-se esquecer o Barrosismo/ Santanismo e ainda todas as figuras tristes que o CDS/PP fez nos ultimos dias. Naquele tempo combatia-se por liberdade, por pão, por direitos, défices orçamentais...etc., hoje em dia luta-se por empregos, oportunidades, direitos, e também défices orcamentais! Naquele tempo queria-se sair do lamaçal, hoje em dia - em bicos de pés -tentamos não cair no lamaçal.
Não me esqueço da arrogância infantil e de má perdedor que o Nobre Guedes demonstrou no directo da TVI, quando foi confrontado com as perguntas dos jornalistas e com os comentários dos vencedores da noite. Muito mau para um político de 1ª linha... A cara de Paulo Portas inspirava uma amargura tremenda, por ter a confirmação daquilo que ele próprio já sabia, mas fingia não saber, mais, evocou novamente o nome de Deus em vão, homessa o que pensarão desta vez os bispos, para os quais se calhar era dirigido aquele "estou-me nas tintas para o que pensarem" que o Portas da Direita afirmou? Nesse entretanto tinhamos um Portas de Esquerda sorridente, pelo aumento de 5 deputados do seu partido, perfazendo agora 8 cadeirinhas no parlamento. Os jantares desta familia devem ser muito interessantes...
Só mesmo o Euro 2004 poderia animar este povo que está cansado e inseguro. Se pertencemos a este lote primeiro mundista, temos que evoluir e mostrar que somos um país capaz de movimentar valores e decisões, não nos podemos assentar em políticas do faz - de - conta que remetem-nos para a cauda da Europa em todos os aspectos reprováveis! Fico feliz por ver que desta vez as pessoas conscientemente foram ás urnas, finalmente puderam dar uma utilidade ao voto, arma poderosa para o povo de uma nação democrática.
Continuo a ter como lema "A tua indiferença é o poder deles!", se não votamos, contribuímos para a ascensão do indesejável e depois como poderemos criticar aquilo que nem foi objecto da nossa reprovação na hora do voto?! Onde estávamos na hora do voto? Em casa a não tomar parte do nosso próprio futuro! "Vencer a crise, preparar o futuro" é o titulo do referido livro datado de 1977, mas poderia ser também o titulo de um livro datado de 2005...
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
A esquerda ergue-se!
Parece que este país acordou para a realidade e castigou definitivamente o governo de direita facciosa, elitista e demagoga. As lágrimas que alguns dos apoiantes do CDS/PP derramaram aquando da declaração de derrota de Paulo Portas cairam num solo que, espero eu, vai ver grandes mudanças. Não sou simpatizante nem militante do PS, mas fico feliz por ver que de todos os males, nos calhou o menor... E o país fica mais "vermelho"! Assim diz o velho slogan Marxista-Leninista: "O povo unido, jamais será vencido".
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
Demo Cd Manifesto
Como se esperava, o Demo CD dos Manifesto irá ser apresentado nas férias da páscoa, com a realização de um concerto.
A gravação foi feita na Praia da Vitoria pelo Miguel Angelo, foi misturado e masterizado nos estudios Restart em Lisboa pelo Rodrigo Rodrigues e toda a concepção gráfica ficou a cargo de Paulo Sousa (Sissinho). A distribuição vai ficar a cargo, em parte, da recém criada "Impulso Produções", que mostrou muita vontade em ter como primeiro desafio o lançamento do nosso Demo CD, sentimento reciproco! Mais novidades serão reveladas assim que se achar conveniente.
Os Manifesto são, para além de outras pessoas que ajudam e participam no projecto:
Miguel Linhares (Boi) - voz; Paulo Sousa (Sisso) - guitarra e voz; Rodrigo Rodrigues (Punk) - guitarra; César Terra (Cascinha) - baixo; Duarte Silva (Silas) - Bateria e (acho que já posso dizer isto...) Miguel Sarmento (Ruru) - Projecção audio-visual.
Manifestem-se pelos vossos ideais!!!
A gravação foi feita na Praia da Vitoria pelo Miguel Angelo, foi misturado e masterizado nos estudios Restart em Lisboa pelo Rodrigo Rodrigues e toda a concepção gráfica ficou a cargo de Paulo Sousa (Sissinho). A distribuição vai ficar a cargo, em parte, da recém criada "Impulso Produções", que mostrou muita vontade em ter como primeiro desafio o lançamento do nosso Demo CD, sentimento reciproco! Mais novidades serão reveladas assim que se achar conveniente.
Os Manifesto são, para além de outras pessoas que ajudam e participam no projecto:
Miguel Linhares (Boi) - voz; Paulo Sousa (Sisso) - guitarra e voz; Rodrigo Rodrigues (Punk) - guitarra; César Terra (Cascinha) - baixo; Duarte Silva (Silas) - Bateria e (acho que já posso dizer isto...) Miguel Sarmento (Ruru) - Projecção audio-visual.
Manifestem-se pelos vossos ideais!!!
domingo, fevereiro 13, 2005
Never, neverland!
E aqui vou eu para aquela terra estranha, sem dicionário e sem a minima noção de que dialecto eles falam! Fuck da system...
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
COUNTER STRIKE
Counterstrike
A 19 e 20 de Fevereiro as batalhas regressam a Angra!
Forma a tua equipa e mostra o que vales em LAN!
Luta contra todas as equipas, pelos prémios que temos para oferecer!
5 contra 5!
Para mais informações e inscrições, contacta 96 398 8368!
"The Bomb has been planted!" "GO, GO, GO!"
Mais uma iniciativa "9xRock=Açores"
quarta-feira, fevereiro 09, 2005
Falta de espirito carnavalesco
Realmente esta foi a primeira vez que nem dei pelo carnaval a passar! Todos os anos tenho por hábito fantasiar-me e sair todos os dias do carnaval, mas este ano até parece que nem sabia que época era. Faltou-me a paciência de abrir os caixotes, que nem sei onde estão, com as fantasias, roupas e acessórios propicios á festa, faltou-me a paciência de ir ouvir música brasileira, coisa que odeio, faltou-me a paciência para entrar no espirito. E assim passou mais um carnaval, o primeiro em que não tomei parte e longe vão os tempos em que um "saco" significava muito em certos sitios desta ilha! Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades! E não sei bem porquê, a minha vontade não estava para aí virada. De qualquer maneira é bom ver que mesmo nestes tempos de preocupações e incertezas, o povo desta ilha rende-se ao divertimento e á folia, provavelmente nem sabendo o que se passa no mundo real e não tomando parte disso. Talvez para o ano já tenha novamente vontade de participar nesta festa com a qual cada vez menos me identifico.
Carnaval 2004 (Canadinha)
Carnaval 2004 (Canadinha)
domingo, fevereiro 06, 2005
PÁGINAS DE JORNALISMO - O Distrito de Évora
IV - CRÓNICAS
Nº 1, 6 de Janeiro
A crónica e como que a conversa íntima, indolente, desleixada, do jornal com os que o lêem: conta mil coisas, sem sistema, sem nexo; espalha-se livremente pela natureza, pela vida, pela literatura, pela cidade; fala das festas, dos bailes, dos teatros, das modas, dos enfeites, fala em tudo, baixinho, como se faz ao serão, ao braseiro, ou ainda de veräo, no campo, quando o ar está triste. Ela sabe anedotas, segredos, histórias de arnores, crimes terriveis; espreita porque não lhe fica mal espreitar. Olha para tudo, umas vezes melancolicamente, como faz a lua, outras vezes alegre e robustamente, como faz o sol; a crónica tem uma doidice jovial, tem um estouvamento delicioso: confunde tudo, tristezas e facécias, enterros e actores ambulantes, um poema modemo e o pé da imperatriz da China; ela conta tudo o que pode interessar pelo espírito, pela beleza, pela mocidade; ela não tem opiniões, não sabe do resto do jornal; está aqui, nas suas colunas, cantando, rindo, pairando; não tem a voz grossa da politica, nem a voz indolente do poeta, nem a voz doutoral do crítico; tem uma pequena voz serena, leve e clara, com que conta aos seus amigos tudo o que andou ouvindo, perguntando, esmiuçando.
A crónica é como estes rapazes que não tem morada sua e que vivem no quarto de seus amigos, que entram com um cheiro de primavera, alegres, folgazões, dançando, que nos abraçam, que nos empurram, que nos falam de tudo, que se apropriam do nosso papel, do riosso colarinho, da nossa navalha de barba, que nos macam, que nos fatigam mesmo e, quando se vão embora, nos deixam cheios de saudades.
Eça de Queirós
Nº 1, 6 de Janeiro
A crónica e como que a conversa íntima, indolente, desleixada, do jornal com os que o lêem: conta mil coisas, sem sistema, sem nexo; espalha-se livremente pela natureza, pela vida, pela literatura, pela cidade; fala das festas, dos bailes, dos teatros, das modas, dos enfeites, fala em tudo, baixinho, como se faz ao serão, ao braseiro, ou ainda de veräo, no campo, quando o ar está triste. Ela sabe anedotas, segredos, histórias de arnores, crimes terriveis; espreita porque não lhe fica mal espreitar. Olha para tudo, umas vezes melancolicamente, como faz a lua, outras vezes alegre e robustamente, como faz o sol; a crónica tem uma doidice jovial, tem um estouvamento delicioso: confunde tudo, tristezas e facécias, enterros e actores ambulantes, um poema modemo e o pé da imperatriz da China; ela conta tudo o que pode interessar pelo espírito, pela beleza, pela mocidade; ela não tem opiniões, não sabe do resto do jornal; está aqui, nas suas colunas, cantando, rindo, pairando; não tem a voz grossa da politica, nem a voz indolente do poeta, nem a voz doutoral do crítico; tem uma pequena voz serena, leve e clara, com que conta aos seus amigos tudo o que andou ouvindo, perguntando, esmiuçando.
A crónica é como estes rapazes que não tem morada sua e que vivem no quarto de seus amigos, que entram com um cheiro de primavera, alegres, folgazões, dançando, que nos abraçam, que nos empurram, que nos falam de tudo, que se apropriam do nosso papel, do riosso colarinho, da nossa navalha de barba, que nos macam, que nos fatigam mesmo e, quando se vão embora, nos deixam cheios de saudades.
Eça de Queirós
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