quinta-feira, agosto 18, 2005

Uma outra visão sobre os espectáculos nas festas da Praia 05

Finalizadas que estão as festas da Praia 05 e depois de mil e uma criticas favoráveis, convém aqui fazer um outro tipo de citica, mais realista, a meu ver, e construtiva.
Olhando para as festas deste ano nota-se de longe mais qualidade, empenho e argúcia por parte da comissão de festas. Indiscutivel! Há que ser dito que o recinto dos espectáculos estava muito bom, muito bem projectado e perfeitamente ajustável á festa. Aqui sim uma aposta bem ganha. Quanto aos concertos, já aqui referi na semana passada o excelente concerto proprocionado pelos Starr Faithfull, um grupo desconhecido, mas que mesmo para quem não goste de Rock, este é um conjunto de indiscutivel qualidade com excelentes executantes. Stream, que deram um concerto não tão bom quanto estamos habituados, muito por culpa do som que não saía nas melhores condições e também devido á recente inclusão de um novo elemento na formação. Esta é uma aposta que será certamente ganha pelos Stream, mas a médio prazo e com muito mais ensaio, pois notou-se um certo “desvio” com algumas falhas e modos completamente diferentes de tocar. A fusão será benéfica para os Stream depois de haver mais cumplicidade com o novo elemento. Outra nota positiva para o projecto Digital Punch, dos Terceirences Rodrigo Rodrigues (Dj Psytoon) e João Mendes, guitarrista dos Stream. Aqui ganha a música electrónica com um acompanhamento da guitarra em várias linhas proporcionando mais energia e diversidade musical, sem perder o ritmo dançante. Quanto aos concertos de maior envergadura, no palco principal, de realçar o do conjunto The Gift, essencialmente pela originalidade reconhecida e por todo o aspecto visual inerente ao concerto, embora todo o repertório tenha sido algo “morno”, o que aconteceu um pouco também com os Da Weasel, que deram um bom concerto, mas deixando uma ideia que poderia ter sido mais vibrante para o público. Não enganou nenhuma das pessoas que lá foram para os ver, mas em cima do muito bom, poderia ter eclodido o excelente. Ez Special também com uma boa apresentação na Praia 05, muito participada pelo público, sóbria e muito subtil. Quanto a Fish, e notem que não escrevo Marillion porque de Marillion viu-se pouco, ou seja, inicialmente a publicidade foi feita com o nome Marillion, passados uns tempos e com o chegar das festividades começou-se a publicitar e escrever Fish- Marillion, o que está errado em termos publicitários. O que vimos ao vivo foi o projecto a solo do vocalista da era 1981 – 1988 dos Marillion, Fish. Relativamente a Fish, como dizia, acho que foi a grande argolada destas festas. Deram um concerto fabuloso, a experiência falou mais alto e quereriam muitos dos músicos deste mundo tocar tão bem quanto os elementos desta banda, além do mais foi um concerto para um público mais velho, o que é de louvar pois nem só de jovens vivem estas festas, mas para o último espectáculo das festas, ainda por cima o único que era pago, isto não era um nome suficientemente sonante para encher o recinto. E realmente não o foi. Ainda por cima estas festas habituaram-nos a grandes “mordomias musicais” como a Nelly Furtado e os Scorpions...desceram muitos degraus este ano e infelizmente apesar de ter sido um bom concerto Rock, não cativou nem convenceu muita gente. Porquê? Muitos nem lá se dirigiram mesmo estando envolvido o nome Marillion (a não ser quando a entrada já não era paga), porque na realidade quase ninguém os conhece. Nenhum dos seus singles entrou no top 100 de toda a história musical e nenhum álbum do conjunto vendeu mais que 5 milhões de cópias e isso reflete-se num meio pequeno como o nosso que vive muito á custa dos “airplays” das nossas queridas rádios. Por vezes qualidade não significa sucesso, este concerto foi prova disso.
Um outro ponto que gostava de deixar aqui expresso, prende-se com o facto de não termos visto nenhuma banda de Rock local a actuar, excepção (habitual) feita aos Stream. Esta que é uma das minhas bandeiras e de muitos jovens músicos Terceirences, mais uma vez foi ignorada. As festas são feitas para nós, mas sem nós. Já aconteceu com as Sanjoaninas em outros anos e na Praia pareçe que cada vez é mais dificil mostrar o trabalho que por cá se faz. Falta de qualidade? Cá vou eu na mesma conversa outra vez, e nem vale a pena entrar por aí, porque conheço bem o que se faz entre os jovens amantes de Rock da nossa ilha e realmente só vale a pena discutir este assunto com quem perceba alguma coisa disto. E os grupos não mereçem ser falados por isto, mas por tudo aquilo que vão fazendo no nosso meio musical, pelo trabalho, tempo e dinheiro que investem na sua paixão comum, a música e nunca poderão ser “comprados” pelos gostos musicais e pessoais daqueles que tem o poder nestes eventos, se bem que ás vezes tentemos “vender”, ingloriamente, esse produto. Pronto, pelo menos não se pode dizer que não tentámos, não é?!
Para rematar e a respeito de gostos pessoais, lembro-me agora que li num meio de comunicação social local uma entrevista com a presidente das festas da Praia 05, em que dizia que tinha pena de não ter nas festas os Humanos e por seu gosto pessoal, se fosse possivel, traria os Evanescence. Pois, os Humanos teriam sido uma (de muitas) solução ideal para último espectáculo das festas (e por uma quantia menos volumosa que a do Sr. Fish). Quanto aos Evanescence (o que resultaria no cartaz em pleno), tenho a certeza que seria ainda mais complicado trazê-los cá do que o que foi com os Scorpions, por isso vamos esperar uns anos até á carreira deles descer uns quantos degraus, aí talvez seja humanamente e financeiramente possivel concretizar esse espectáculo na nossa ilha. Eu também gostaria de ver os Metallica actuarem no cerrado do Bailão, mas fico-me pelo sonho. E de sonhos alimenta-se o homem...

in jornal "A União" de 18 de Agosto de 2005

1 comentário:

nihildom2004 disse...

Estive fora durante o mês de Agosto (de 5 a 27), quer no continente quer noutras paragens, como a Suiça, por isso não tive oportunidade de ler esta maravilhosa crítica. Efectivamente, Boi, tens de começar a pensar escrever para outras revistas, outros jornais, outros voos. Tens uma análise acutilante, directa e muito equilibrada. Continua o bom trabalho

roger